Centenas de pessoas se reuniram na Praça da Paz, em Foz do Iguaçu, em um ato público de solidariedade à Palestina e aos ativistas brasileiros presos por Israel ao tentarem romper o bloqueio naval imposto à Faixa de Gaza.

O protesto contou com a presença da comunidade árabe local, sindicatos, partidos políticos, professores e organizações sociais, e membros do poder legislativo.

O ato ocorre em meio a uma escalada de violência que já dura dois anos, desde o início da ofensiva israelense em Gaza. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, reconhecido pela ONU como fonte confiável, o conflito já deixou mais de 61 mil mortos, sendo a maioria mulheres e crianças.

A população de 2,3 milhões de pessoas vive sob bloqueio severo, com restrições à entrada de alimentos, medicamentos e energia, o que agrava a crise humanitária e eleva o risco de fome e surtos de doenças.

Comunidade trinacional se une em defesa dos direitos humanos e do fim do cerco à Faixa de Gaza. Fotos Amilton Farias/Fronteira Livre

A destruição da imprensa e da saúde

A ofensiva em curso na Faixa de Gaza resultou na destruição de toda a infraestrutura de imprensa no território, onde atuavam mais de 120 veículos de mídia.

Segundo o sindicato da categoria, o número de jornalistas assassinados chegou a 252, superando o total de profissionais mortos durante as duas Guerras Mundiais. A entidade também notificou a prisão de mais de 200 jornalistas e o ferimento de cerca de 400.

O impacto na infraestrutura de saúde é igualmente devastador. De acordo com relatos da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF), Gaza vive um verdadeiro cenário de terra arrasada em decorrência dos bombardeios do exército israelense.

Atualmente, 94% dos hospitais do território estão fora de funcionamento por serem atingidos, e os 6% restantes que ainda operam também foram danificados, comprometendo gravemente o atendimento à população civil.

Durante o protesto, o Xeique Oussama El Zahed, do Centro Cultural Beneficente Islâmico de Foz (CCBI), segurou a bandeira brasileira e expressou gratidão ao povo do Brasil pelo apoio à causa Palestina.

Ele também repudiou o tratamento dado aos ativistas que integravam a Global Sumud Flotilla, interceptada pela marinha israelense em águas internacionais.

“Eles foram tratados como lixo, considerados terroristas. Exigimos a libertação deles em primeiro lugar — e também a liberdade de Gaza”, declarou o Xeique.

Xeique Oussama El Zahed cobra a libertação imediata de tripulantes e a livre entrada de suprimentos em Gaza. Fotos Amilton Farias/Fronteira Livre

A flotilha humanitária era composta por 50 embarcações e 461 ativistas de 44 países, que levavam alimentos, remédios e doações destinadas à Faixa de Gaza.
O comboio foi interceptado fora das águas territoriais israelenses, e todos os tripulantes foram detidos, incluindo onze brasileiros, entre eles representantes de organizações como a CSP-Conlutas.

Missão humanitária e repressão

O objetivo da Global Sumud Flotilla era romper simbolicamente o bloqueio marítimo e entregar ajuda humanitária ao povo palestino.
A operação de interceptação envolveu navios e aeronaves de guerra israelenses e resultou na prisão dos ativistas sem qualquer resistência armada.

Organizações internacionais denunciaram o episódio como violação ao direito internacional de navegação e ato de sequestro.

Durante o ato em Foz, movimentos sociais e coletivos estudantis cobraram uma postura mais firme do governo brasileiro, incluindo o rompimento de relações comerciais e diplomáticas com Israel.

Protesto denuncia bloqueio à Faixa de Gaza e pede que o governo rompa relações diplomáticas com Israel. Fotos Amilton Farias/Fronteira Livre

Posição do Itamaraty

O Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) classificou a interceptação da flotilha como “detenção ilegal de ativistas pacíficos” e cobrou a liberação imediata dos cidadãos brasileiros.

O órgão destacou que a ação israelense viola convenções da ONU sobre liberdade de navegação e fere o direito humanitário internacional.

Enquanto a diplomacia brasileira negocia a libertação dos ativistas, organizações civis e religiosas de Foz do Iguaçu prometem manter as mobilizações e ampliar o diálogo público sobre o tema.