Foz do Iguaçu, PR – O Festival Iguassu Inova se consolida não apenas como uma vitrine de inovações e tecnologias que apontam para o futuro, mas também como um espaço de reflexão sobre os impactos e limites do uso dessas ferramentas. Esse foi o foco da palestra de Atila Iamarino, realizada nesta quarta-feira (23), sobre o papel das redes sociais no combate à desinformação climática.

Doutor em microbiologia, Atila ganhou notoriedade nas redes sociais ao compartilhar dados científicos sobre mudanças climáticas e a pandemia de COVID-19, sempre reforçando a importância da ciência no enfrentamento de crises globais.

Durante a apresentação, que reuniu um público diverso de professores a adolescentes, o pesquisador destacou como o mau uso das redes pode ampliar o alcance de notícias falsas e transformar mentiras em verdades por meio do compartilhamento em massa.

“Quem dita o que vemos nas redes sociais são os algoritmos, e precisamos entender isso. As plataformas escolhem o que é interessante para nós, com base em fatores econômicos que sustentam essas empresas. Assim, para que uma mentira se torne ‘verdade’, elas a transformam em trend”, alertou Atila.

Desafios da era da inteligência artificial

O pesquisador também chamou atenção para o avanço das tecnologias de inteligência artificial (IA) e os riscos associados a elas. “Vivemos uma era em que a IA ainda nem está totalmente consolidada e já é capaz de gerar vídeos que muitas pessoas não conseguem distinguir do real. Precisamos nos preocupar não apenas com a propagação das informações, mas também com o modo como elas são criadas”, reforçou.

Impactos geracionais e o papel da educação

Iamarino observou que o crescimento da desinformação, intensificado após o enfraquecimento das agências de checagem nas redes afeta diferentes gerações de formas distintas. “Acredito que a geração atual é a mais preparada para lidar com isso. Já vi crianças que identificam facilmente quando vídeos ou imagens foram criados por inteligência artificial. Esse público pode ajudar a educar os mais velhos, que não cresceram em um ambiente digital”, destacou.

A professora Camila de Almeida, que leciona Biologia no Ensino Médio em Curitiba, participou da palestra com quase dez alunos que apresentaram projetos no Mundo FiCiências.

Para ela, o encontro reforçou a importância de valorizar o conhecimento científico. “Encontramos muita dificuldade, não no acesso à informação, mas em encontrar conteúdos assertivos e verdadeiros. Os jovens têm acesso a tudo, mas o desafio é filtrar o que realmente é válido. Uma palestra desse porte, nesse ambiente, é fundamental para que aprendam a consumir e compartilhar informações com mais cautela”, afirmou.

Inspiração e boas práticas digitais

Apesar dos desafios, Atila acredita que o ambiente digital pode ser transformado em um espaço de disseminação de conhecimento e boas práticas. “Durante a pandemia, meu conteúdo cresceu muito porque as pessoas começaram a compartilhar meus vídeos. Isso ajudou muita gente a entender melhor o que estávamos vivendo”, relembrou.

As reflexões do cientista inspiraram também os mais jovens, como Gabriel Lima, 19 anos, estudante do curso Técnico em Informática do Instituto Federal do Paraná (IFPR), campus Ivaiporã, que pretende usar as redes sociais para promover informação de qualidade.

“O Atila é realmente incrível. As opiniões dele são muito boas. Quis assistir à palestra principalmente pelo tema. Eu trabalho com tecnologia, e ele fala bastante sobre isso. As visões de mundo dele são importantes — todo mundo deveria pelo menos se situar nelas”, contou o estudante.

Sobre o Festival Iguassu Inova

Realizado pelo Itaipu Parquetec, em parceria com a Itaipu Binacional e o Governo do Brasil, o evento é gratuito e reúne cinco mundos do conhecimento: Latinoware, FIciências, Sapiens, Summit Tour e Itaipu Parquetec. A programação inclui palestras, hackathons, mostras científicas e culturais, oficinas, gastronomia e shows.
 Confira inscrições e programação completa em: www.festivaliguassuinova.com.brino