Foz do Iguaçu–PR — O Hospital Itamed, em Foz do Iguaçu, afirmou que é falso o atestado médico apresentado por Silvinei Vasques, ex-diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF), condenado por tentativa de golpe de Estado. O documento citava tratamento oncológico e utilizava papel timbrado da instituição, que até dezembro de 2024 era denominada Hospital Costa Cavalcanti.

Em nota oficial, a Fundação de Saúde Itaiguapy, responsável pela administração do hospital, informou que o documento não foi emitido nem validado pela instituição, além de conter informações inconsistentes e uso indevido da marca hospitalar.

Silvinei Vasques foi preso no Aeroporto Internacional de Assunção, no Paraguai, após romper a tornozeleira eletrônica e deixar o Brasil sem autorização judicial. No momento da prisão, ele portava documentos falsos, incluindo identidade e passaporte, e tentava embarcar com destino a El Salvador.

Inconsistências no documento apresentado

Segundo o Hospital Itamed, o atestado médico apresentado por Vasques mencionava um suposto diagnóstico de câncer que o impediria de prestar declarações. No entanto, a instituição esclareceu que o médico citado no documento não possui vínculo com o hospital e que, o número de CRM informado não corresponde a profissional atuante na unidade ou mesmo na cidade de Foz do Iguaçu.

O registro de CRM mencionado pertence a um médico nutrólogo de Curitiba, enquanto o nome que aparece no atestado é de um profissional que não consta nos registros do Conselho Federal de Medicina (CFM). Além disso, o documento utiliza a marca “Hospital Costa Cavalcanti”, denominação que deixou de existir oficialmente em 11 de dezembro de 2024, quando a instituição passou a se chamar Hospital Itamed.

Hospital afirma ser vítima de fraude

A Fundação de Saúde Itaiguapy destacou que não possui qualquer relação com o caso envolvendo o ex-diretor da PRF e que também foi vítima de possível fraude e uso indevido de sua imagem institucional.

“O documento apresentado não pertence ao Hospital Itamed, não foi emitido por nossa equipe médica e apresenta informações inconsistentes, incluindo o uso de marca que não está mais em vigor”, diz a nota.

A instituição informou ainda que permanece à disposição das autoridades para colaborar com as investigações e reforçou seu compromisso com a ética, a transparência e a segurança da informação em seus processos assistenciais e administrativos.

Condenação de Silvinei Vasques

Silvinei Vasques foi condenado a 24 anos e seis meses de prisão por participação em ações que visaram interferir no segundo turno das eleições presidenciais de 2022, quando ocupava o cargo de diretor-geral da PRF. Segundo a decisão judicial, ele integrou a articulação que buscava dificultar o deslocamento de eleitores em regiões onde o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva obteve ampla votação.