CURITIBA | PR – A Assembleia Legislativa do Paraná (ALEP) foi palco, nesta quarta-feira (4), de um debate central sobre a sub-representação das mulheres nos espaços de decisão. O evento “Março da Decisão – Se Colocar É Possível”, realizado no Plenarinho da Casa, reuniu lideranças políticas, ativistas e representantes de movimentos sociais para discutir o fortalecimento de políticas públicas e a superação das barreiras estruturais que limitam a atuação feminina na vida pública.
Idealizada pelo deputado Requião Filho (PDT), a iniciativa utiliza a simbologia da “Rainha do Xadrez” para ilustrar a capacidade de estratégia e articulação necessária para a presença feminina no tabuleiro do poder. Além do encontro presencial, o projeto contempla uma ofensiva digital com conteúdos focados na formação política e no engajamento social das paranaenses.
Ambiente hostil e a necessidade de abertura
Durante o encontro, o deputado Requião Filho pontuou que a política brasileira ainda é um território marcadamente machista, o que exige um esforço constante para tornar as casas legislativas e os cargos executivos ambientes mais acolhedores. De acordo com o parlamentar, a presença feminina é um fator de qualificação da atividade pública.
A mulher precisa, infelizmente, ainda conquistar o seu espaço na política, que é um ambiente machista. Mas, quando chamamos para o debate e para a conversa, fazemos com que esse espaço seja cada vez mais aberto e acolhedor. A verdade é que as mulheres vão chegar e vão dominar a capacidade de fazer política bem feita.
União suprapartidária e violência política
A defesa de uma frente ampla e unificada entre as mulheres foi um dos pontos altos do debate. Daniele Biondo Crocetti, integrante da executiva da Ação da Mulher Trabalhista do Paraná (AMT), enfatizou que as barreiras encontradas pelas mulheres independem de correntes ideológicas, citando a violência política de gênero como um dos principais obstáculos para novas candidaturas.
Nós, mulheres, somos diversas, mas não podemos estar dispersas. Independentemente de partido ou ideologia, enfrentamos obstáculos semelhantes e precisamos nos encorajar a ocupar esses espaços e participar das decisões políticas.
A necessidade de transitar do simbolismo para a ação efetiva foi reforçada por Kariádine Maia, que conduziu um treinamento com as participantes. Segundo ela, o foco da mobilização é despertar a consciência de que os espaços de poder pertencem por direito às mulheres, exigindo um posicionamento firme frente à sociedade.
Usamos a analogia da rainha no jogo de xadrez para mostrar o poder que nós, mulheres, temos. É menos flores e chocolate e mais posicionamento. Precisamos ocupar esses espaços, porque eles também são nossos.
Diversidade de vozes
O evento contou com uma composição plural, incluindo a presença de vereadoras de Curitiba, Maringá, Pinhais e representantes de movimentos quilombolas e observatórios de combate à violência. Estiveram presentes figuras como as vereadoras Laís Leão, Camilla Gonda e Professora Angela, de Curitiba; Professora Ana Lúcia Rodrigues, de Maringá; e Miss Preta, de Pinhais, além de lideranças do PT, PCdoB, PV e PDT Diversidade.
A discussão integra um calendário de ações que visa não apenas celebrar o mês da mulher, mas consolidar uma rede de proteção e incentivo para que o cenário político paranaense reflita, de fato, a pluralidade da população do estado.
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