Curitiba, PR – A Sistema FAEP realizou, nesta segunda-feira (2), a Assembleia Geral que reuniu lideranças rurais de todas as regiões do Paraná e parlamentares ligados ao setor para avaliar as ações de 2025 e alinhar estratégias para 2026. O encontro contou com mais de 110 participantes, representando dezenas de sindicatos rurais, e reforçou a defesa da união institucional diante dos desafios do agro.
Participaram da reunião os deputados federais Pedro Lupion, Ricardo Barros, Tião Medeiros e Sérgio Souza, além da deputada estadual Maria Victoria, que compartilharam ações e pautas em curso nos âmbitos estadual e nacional.
Na abertura, o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, destacou a importância da articulação permanente com o Legislativo. “Esses deputados estão juntos do Sistema FAEP e dos nossos sindicatos, ouvindo as demandas na ponta e nos ajudando em um momento de dificuldades para o agro”, afirmou.
Balanço de 2025 e conquistas do setor
Meneguette avaliou 2025 como um ano de desafios, mas também de conquistas relevantes, consolidadas no relatório anual apresentado às lideranças. Entre os avanços, destacou a derrubada do projeto que previa aumento expressivo das custas cartoriais no Paraná.
“Conseguimos travar e arquivar um projeto que previa aumento de até 532% para averbação sem valor econômico e mais de 351% na emissão de certidões. O impacto seria enorme para os produtores, especialmente em um período de dificuldades climáticas e renegociação de dívidas”, disse.
Outro ponto enfatizado foi a taxação da importação de tilápia e a retirada da proposta que classificava o peixe como espécie invasora. “Essa medida prejudicaria diretamente o Paraná, maior exportador de tilápia do Brasil, responsável por mais de 70% das exportações nacionais”, reforçou.
Seguro rural e setor leiteiro
Entre as preocupações, Meneguette citou o veto presidencial ao dispositivo que impedia o contingenciamento de recursos para o seguro rural. “Esse veto tem impacto direto na produção do Paraná. Em 2025, contratamos 19,5 mil apólices de um total de 46,9 mil, o que representa 944 mil hectares e R$ 4 bilhões”, pontuou.
A crise do setor leiteiro também esteve no centro do debate. “A produção leiteira está presente nos 399 municípios do Paraná. Conseguimos implementar uma lei que proibiu a reconstituição de leite em pó e derivados importados no Estado, mas seguimos buscando mecanismos de controle”, afirmou.
Atuação parlamentar e desafios para 2026
A deputada estadual Maria Victoria elogiou a gestão de Ágide Eduardo Meneguette à frente do Sistema FAEP e destacou a atuação da entidade em pautas estratégicas do setor agropecuário. “O Ágide Eduardo está fazendo um trabalho maravilhoso, com sabedoria e discernimento. É um orgulho ver essa atuação firme em defesa do agro”, afirmou.
A parlamentar também ressaltou a mobilização da FAEP contra o aumento das custas cartoriais e o apoio a pautas sociais, como iniciativas voltadas a pessoas com doenças raras e projetos educacionais.

O deputado federal Tião Medeiros ressaltou a liderança de Meneguette à frente do G7, que reúne as principais entidades produtivas do Paraná. “Isso aumenta o desafio de fazer com que as entidades do Paraná sejam ouvidas. 2026 será um ano decisivo, com temas como vetos ao seguro rural, faixa de fronteira, marco temporal e escassez de mão de obra no campo”, afirmou.

Na mesma linha, Sérgio Souza observou que os principais entraves ao agro estão “da porteira para fora”. “O produtor sabe produzir. O problema está nos custos, nos entraves regulatórios e nos vetos às conquistas aprovadas no Congresso. Precisamos continuar unidos”, disse.

O deputado Ricardo Barros, presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara, destacou o papel estratégico do Brasil na produção de alimentos e os impactos das mudanças climáticas. “Água e comida são os grandes valores do futuro. O Brasil tem território, clima e tecnologia para cumprir esse papel”, afirmou, ressaltando o papel da Embrapa no avanço da produtividade.

Já Pedro Lupion, presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, apresentou um panorama das pautas em debate no Congresso, como o acordo Mercosul–União Europeia, a derrubada de vetos ao seguro rural, defesa agropecuária, modernização da legislação de cultivares, tabela de frete, escassez de mão de obra e a proposta de alteração da jornada 6×1. “Precisamos garantir segurança jurídica, acesso à tecnologia e condições reais de produção”, afirmou.

Planejamento, transparência e capacitação
Na apresentação das propostas para 2026, Meneguette reforçou planejamento e transparência. Como parte dos investimentos, foi entregue a cada sindicato rural um kit digital, com notebook e telefone celular, para fortalecer comunicação e atuação sindical.
A Reforma Tributária, em vigor desde 2 de janeiro, foi tema de palestra para orientar produtores sobre o cronograma de implementação e seus impactos. A apresentação detalhou a cartilha produzida pelo Sistema FAEP para traduzir a nova legislação em orientações práticas, com espaço para esclarecimento de dúvidas.
SENAR em números

O presidente do Sistema FAEP destacou os resultados de 2025. A Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) realizou 14.713 visitas em 6.397 propriedades de 253 municípios. A Formação Profissional Rural (FPR) cresceu 7%, com 11.273 cursos que capacitaram 237 mil pessoas. Já a Promoção Social contabilizou 2.483 cursos, beneficiando 34.298 participantes.
Houve ainda a implementação inédita de Agentes de Desenvolvimento Rural (ADRs) em todas as regionais e avanços em infraestrutura, como o Centro de Excelência do Leite, com terreno adquirido e fase de homologação, previsão de entrega no início de 2027, com cursos reconhecidos pelo MEC. “Esses resultados mostram o fortalecimento do Sistema FAEP junto aos produtores rurais, sempre com melhoria contínua, qualidade e gestão”, afirmou Meneguette.
Ações técnicas e agenda internacional
A assembleia contou também com a apresentação do gerente do Departamento Técnico e Econômico (DTE), Jeffrey Albers, que detalhou ações e desafios, como a defesa da classificação do tabaco na propriedade rural, a vigilância sanitária para manter o status de área livre de febre aftosa sem vacinação e as tratativas sobre salvaguardas do acordo Mercosul–União Europeia.
Entre as próximas iniciativas está o planejamento de uma viagem técnica aos Estados Unidos, voltada à inovação e inteligência artificial no agronegócio, com visitas a centros de pesquisa e propriedades que utilizam tecnologias de ponta. Albers também fez um balanço de eventos técnicos realizados em 2025, como o Prêmio Queijo do Paraná, o Prêmio Qualidade Café do Paraná, o Ideathon em colégios agrícolas e a participação em eventos nacionais como o Canacarne.
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