Buenos Aires (Argentina) – O objetivo de “pobreza zero”, principal promessa de campanha de Mauricio Macri, enfrenta um início de gestão dramático. Segundo estimativas do prestigiado Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA), a pobreza no país saltou 5,5 pontos percentuais nos primeiros três meses de 2016, empurrando cerca de 1,4 milhão de pessoas para a vulnerabilidade social.
Atualmente, aproximadamente 13 milhões de argentinos — o equivalente a 34,5% da população — não possuem renda suficiente para cobrir as necessidades básicas. É o índice mais alto registrado nos últimos sete anos.
O “Tarifaço” e a Inflação de Alimentos
O principal motor desse empobrecimento repentino é o forte aumento no custo de vida. Nos primeiros três meses do ano, o preço dos alimentos disparou 10%. Além disso, o Governo iniciou um processo de “sinceramento das tarifas”, reduzindo subsídios estatais que duravam mais de uma década. Os impactos foram imediatos:
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Eletricidade: Aumentos médios de 250%, chegando a 700% em casos isolados.
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Transporte: Passagens de ônibus e trens duplicaram de valor.
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Água e Gás: Reajustes na casa dos 300%.
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Combustíveis: Acúmulo de 12% de aumento desde janeiro, impulsionado pela desvalorização de 40% do peso.
Ajuda Social Insuficiente
Embora o Governo tenha anunciado a expansão de benefícios como aposentadorias e ajuda por filho (Asignación Universal por Hijo), o diretor do observatório, Agustín Salvia, alerta que essas medidas não são capazes de acompanhar o ritmo dos reajustes.
“Essas projeções não levam em conta as perdas de emprego ocorridas no contexto de ajustes macroeconômicos e inflação”, explicou Salvia. A expectativa é que o impacto real nas contas das famílias seja sentido com maior força a partir de maio.
Herança e Transparência
A questão da pobreza é um tema sensível na política argentina. Durante a gestão de Cristina Kirchner, o órgão oficial de estatísticas (INDEC) parou de publicar dados sobre pobreza em 2013, alegando números que eram vistos como irreais (apenas 5%).
O governo Macri, que usou os dados da UCA como arma de oposição, agora vê os mesmos números se tornarem seu maior desafio. Enquanto o Executivo pede paciência para “normalizar a economia”, as ruas mostram que o ajuste está sendo mais severo do que o previsto para os mais vulneráveis.
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