O governo de Javier Milei, sob a administração de La Libertad Avanza, resultou em um aumento alarmante da pobreza na Argentina, com quase 50% da população vivendo em condições precárias. Um recente relatório do Observatório Social da Universidade Católica Argentina (UCA) aponta que 49,9% da população, equivalente a 23 milhões de pessoas, está abaixo da linha da pobreza. Este número representa um crescimento de 4 milhões de novos pobres desde o final de 2023. A situação de miséria é ainda mais grave, com 6 milhões de argentinos classificados como indigentes, um aumento de 76% em relação ao ano anterior.
Os dados sobre a pobreza infantil também são preocupantes, com quase 20% das crianças e adolescentes vivendo em condições de extrema vulnerabilidade. A pobreza entre menores de 18 anos subiu para 65,5%, um aumento significativo em comparação com 62,9% em 2023. Apesar da gravidade da situação, o governo celebrou a desaceleração da inflação como um sinal positivo, embora a falta de políticas eficazes para aumento de renda continue a perpetuar a pobreza.
Cortes orçamentários e seus impactos
Um estudo do Instituto de Pensamento e Políticas Públicas (IPyPP) revelou que houve um corte de 24% nos programas de transferência de renda em 2023. Sete dos dez principais programas de assistência social sofreram perdas significativas. O único programa que apresentou aumento relevante foi a Bolsa Família Universal, que teve um incremento de 30% em poder aquisitivo; no entanto, a maioria dos beneficiários também depende de outros programas que estão em queda.
A Bolsa Progresar, que atendia mais de 1,4 milhão de jovens, viu sua cobertura reduzir-se para 1 milhão em 2024, além de uma diminuição de 68% no seu valor orçamentário. O Programa Empoderar Trabalho e outros programas de apoio social também enfrentaram quedas acentuadas no poder de compra, refletindo a crise econômica em curso.
A política assistencial e a criminalização do protesto
O relatório destaca uma mudança na abordagem do governo em relação à assistência social, que agora é caracterizada por uma visão “anticoletivista”. A administração de Milei tem buscado eliminar a mediação das organizações sociais, acusando-as de serem “gestoras da pobreza”. Essa postura inclui a criminalização de protestos sociais, com advertências de que beneficiários que participem de manifestações poderão perder o acesso a programas de assistência.
A falta de soluções concretas para a fome e a pobreza é evidente, com o governo implementando medidas que mais parecem paliativos do que soluções duradouras. A lógica parece ser a de silenciar a fome e as vozes críticas, ao mesmo tempo em que grandes empresas continuam a aumentar seus lucros em meio à crise.
Movimentos sociais e resistência
Recentemente, organizações sociais e movimentos piqueteros, como a Frente de Combate Piquetero, realizaram protestos em La Matanza, com o lema “Por um Natal sem fome”. A bandeira que liderou o movimento clamava “Fora Milei”, evidenciando o descontentamento generalizado com a gestão atual e a exigência de ações efetivas para combater a pobreza.