A Receita Federal e a Polícia Federal (PF) deflagraram na manhã desta quinta-feira (15), em Foz do Iguaçu, Cascavel e São José do Rio Preto, a Operação Sanguinis. O objetivo da ação é apurar a suspeita de prática de lavagem de dinheiro oriundo de crimes de descaminho de mercadorias.

A investigação teve início a partir de apreensões de centenas de aparelhos celulares nos estados de São Paulo e Paraná, que estavam escondidos em fundos falsos de móveis comercializados por uma das empresas investigadas. Em outra apreensão, os aparelhos foram encontrados misturados a peças de motocicletas pertencentes a outra empresa do mesmo grupo. Em uma ocasião distinta, o principal investigado foi preso em flagrante por ocultar celulares em seu próprio veículo, levantando a suspeita da prática reiterada de descaminho pelo grupo.

As investigações conduzidas pela PF e pela Receita Federal apontaram indícios da utilização de empresas de fachada e de terceiros (“pessoas interpostas”) para ocultar a origem e o destino de recursos financeiros considerados ilícitos. A apuração também revelou a ausência de atividade econômica real por parte de uma das empresas envolvidas e a movimentação de valores financeiros incompatíveis com as rendas declaradas pelos investigados. Esse quadro, somado ao elevado padrão de vida do principal investigado e de sua esposa, reforça a suspeita de dissimulação patrimonial, característica da lavagem de capitais.

No decorrer da operação, foram cumpridos sete mandados de busca e apreensão nos estados de São Paulo e Paraná. Durante o cumprimento das ordens judiciais, um dos investigados foi preso em flagrante delito por posse ilegal de arma de fogo. Os envolvidos poderão ser responsabilizados por ocultação ou dissimulação de bens, direitos e valores de origem ilícita, descaminho e outros crimes que venham a ser identificados no curso das investigações.

A Operação Sanguinis mobilizou a participação de quatro auditores fiscais e analistas tributários da Receita Federal, além de 20 policiais federais.