Foz do Iguaçu, PR – Os nascimentos de um veado-bororó (Mazama nana) e de uma anta (Tapirus terrestris) marcaram o início de 2026 no Programa de Reprodução de Espécies da Itaipu Binacional. Os filhotes nasceram na semana passada no Refúgio Biológico Bela Vista (RBV) e são os primeiros registros do ano, reforçando os esforços de conservação de duas espécies ameaçadas de extinção.

O veado-bororó, batizado de Bambi, e a anta Jamelão são filhos de mães de primeira viagem e representam um indicativo positivo da continuidade do programa mantido pela binacional. Segundo a médica-veterinária Aline Konell, da Divisão de Áreas Protegidas da Itaipu, o sucesso reprodutivo contribui diretamente para o fortalecimento das populações sob cuidados humanos e para ações futuras de reintrodução na natureza.

“Com esses nascimentos, a gente consegue reforçar a população tanto geneticamente quanto em número de indivíduos, além de gerar dados científicos e protocolos de manejo que podem ajudar outras instituições que também conservam esses animais”, afirmou Aline. Ela também antecipou que, no segundo semestre, a Itaipu deve enviar um casal de antas para um projeto de reintrodução na Floresta da Tijuca, no Rio de Janeiro, em parceria com o Projeto Refauna.

Em 2025, o Refúgio Biológico Bela Vista registrou o nascimento de 65 animais de dez espécies diferentes, consolidando o local como referência nacional em reprodução e manejo de fauna silvestre.

De acordo com a veterinária, os primeiros meses de vida dos filhotes exigem atenção especial. Assim que a equipe identifica a prenhez de uma fêmea, o casal é separado e a futura mãe é encaminhada para um recinto específico, preparado para garantir condições adequadas ao parto. No caso recente, as fêmeas de anta e veado-bororó ficaram em espaços próximos na chamada “maternidade” do RBV.

Bambi nasceu no dia 12 de janeiro. Filho de Bambina e Skol, ele é o nascimento de número 218 de veados-bororó registrados na história do programa da Itaipu. Na última pesagem, o filhote apresentava 998 gramas, com ganho de peso progressivo e bom estado de saúde.

Os veados-bororó exigem um manejo mais discreto por serem animais ariscos. A equipe do RBV acompanha principalmente se o filhote mamou nas primeiras 48 horas, além de observar postura, locomoção e ganho de peso ao longo dos dias. Aline explica que a principal causa de mortalidade neonatal está associada à chamada “Tríade Neonatal”, que envolve hipoglicemia, hipotensão e hipotermia.

“Por isso, a observação constante é fundamental. Os cuidadores têm treinamento para identificar rapidamente qualquer sinal de que o animal não está bem”, destacou a veterinária.

Nos primeiros dias de vida, também é realizada a cura do umbigo, com aplicação de gaze e iodo na região umbilical, para prevenir infecções bacterianas. Inicialmente, os filhotes se alimentam exclusivamente do leite materno e, após alguns meses, passam gradualmente a consumir folhagens, frutas e ração, compondo a dieta adulta.

Três dias após o nascimento de Bambi, em 15 de janeiro, nasceu Jamelão, filho da anta Mandioca com o macho Pepeu. Ele é a 36ª anta registrada no histórico de nascimentos do RBV e trouxe dois marcos importantes para o programa. O primeiro é a aposentadoria reprodutiva de Pepeu, cuja genética já está amplamente representada no plantel. O segundo é a confirmação de que Mandioca, com apenas dois anos e dez meses, pôde se reproduzir, contrariando referências bibliográficas que indicam a reprodução da espécie apenas a partir dos três anos.

Aline explica que, embora a reprodução das antas seja considerada relativamente simples, o processo é longo. A gestação dura cerca de 13 meses e, geralmente, resulta no nascimento de apenas um filhote. A única exceção registrada no RBV ocorreu em 2011, quando nasceram gêmeas.

Foto: Sara Cheida / Itaipu Binacional.

Além de Jamelão, as antas Ipê e Rabanete, nascidas em dezembro, e outras duas gestações previstas para os próximos meses indicam um período de alta fertilidade no Refúgio Biológico Bela Vista, reforçando o papel da Itaipu Binacional na conservação da fauna brasileira.

 

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