Brasília–DF – O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, afirmou que uma eventual invasão dos Estados Unidos à Venezuela poderia desencadear um conflito de grandes proporções, comparável à Guerra do Vietnã, atingindo toda a América do Sul. A declaração foi feita em entrevista ao jornal britânico The Guardian, publicada nesta terça-feira (9).

Amorim classificou o fechamento do espaço aéreo venezuelano pelos EUA como “um ato de guerra”, ampliando tensões já existentes na relação entre Washington e Caracas.

Segundo o ex-chanceler, ações ordenadas pelo governo de Donald Trump também incluem ataques a embarcações na costa venezuelana, sob a alegação — sem comprovação — de que seriam usadas para tráfico. Trump exige que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, renuncie ao cargo.

“Se houvesse uma invasão, uma invasão de verdade… acho que sem dúvida veríamos algo semelhante ao Vietnã – em que escala é impossível dizer”, afirmou Amorim.

O assessor ainda alertou para o impacto regional de uma ação militar norte-americana:

“A última coisa que queremos é que a América do Sul se torne uma zona de guerra – e uma zona de guerra que inevitavelmente não seria apenas uma guerra entre os EUA e a Venezuela. Acabaria por ter envolvimento global e isso seria realmente lamentável.”

Brasil não reconhece eleições, mas não apoiará pressões externas

Amorim reiterou que o governo Lula não reconheceu como legítimas as recentes eleições na Venezuela. No entanto, destacou que o Brasil não adotará postura intervencionista nem apoiará pressões para que Maduro deixe o poder.

“Se cada eleição questionável desencadeasse uma invasão, o mundo estaria em chamas”, declarou.
“Se Maduro chegar à conclusão de que deixar o poder é o melhor para ele e para a Venezuela, será uma conclusão dele… O Brasil jamais imporá isso; jamais dirá que isso é uma exigência… Não vamos pressionar Maduro para que renuncie ou abdique.”

As declarações reforçam a posição do governo brasileiro de defesa da autodeterminação dos povos e de rejeição a ações militares externas na América do Sul.