Curitiba (PR) – A Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) debateu, nesta quarta-feira (25), a manutenção e o aperfeiçoamento de políticas públicas voltadas à integração da população migrante no Estado. O tema foi discutido durante o lançamento do Panorama Geral das Migrações no Paraná, realizado no Palácio Iguaçu.

Segundo boletim apresentado pela Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Seju), o Paraná ocupa a terceira posição entre os estados brasileiros em número de entradas de migrantes e refugiados internacionais entre 2010 e 2025. Foram registrados 211.580 migrantes no período, o equivalente a 9% do total nacional. São Paulo concentra 27,7% e o Amazonas 14,6%.

O deputado estadual Goura (PDT) defendeu a continuidade e o aprimoramento das políticas públicas voltadas a esse público.

“A gente está vendo o que está acontecendo nos Estados Unidos, onde o Estado persegue e expulsa os migrantes de forma absolutamente cruel e desumana, uma xenofobia extrema. A gente não pode deixar que isso aconteça aqui”, afirmou Goura.

Crescimento dos registros migratórios

De acordo com os dados apresentados, entre 2020 e 2025 o Paraná registrou aumento de 389% nas entradas internacionais, passando de 7.638 registros em 2020 para 37.399 em 2025. O maior crescimento ocorreu entre 2020 e 2021, com alta de 124,6%. De 2024 para 2025, o aumento foi de 17,4%.

“A gente precisa entender os fluxos migratórios como uma política permanente do Estado”, declarou o parlamentar.

“A elaboração do panorama das migrações é um passo fundamental para entender que políticas públicas devem ser feitas baseadas em dados”, acrescentou.

Acesso a direitos e inserção no mercado de trabalho

O deputado destacou que os números reforçam a necessidade de políticas sociais que assegurem acesso à saúde, educação e trabalho.

“Esses dados demonstram que é essencial que o Estado do Paraná desenvolva políticas sociais de acesso à saúde, educação e trabalho para essa população, garantindo seu direito à cidadania”, disse Goura.

O secretário de Estado da Justiça e Cidadania, Valdemar Bernardo Jorge, afirmou que a força de trabalho migrante vem sendo absorvida principalmente pelos setores de serviços, indústria, comércio, construção civil e agropecuária.

“Não basta acolher, tem que governar para eles. Não é só auxiliar na documentação, precisamos integrar essas pessoas. Mas governança sem dados é impossível. Por isso solicitamos esse panorama”, afirmou o secretário.

Para o superintendente-geral de Governança Migratória, Gilberto Antonio Souza Filho, os dados indicam que a presença de migrantes não compromete o mercado de trabalho local.

“Há um saldo positivo de empregos. A Região Oeste tem um grande fluxo de migrantes porque é uma região pujante e tem bastante vagas”, declarou.

Principais destinos e nacionalidades

Após Curitiba, que soma 65.116 registros, Foz do Iguaçu aparece como o segundo principal destino no Paraná, com 25.168 registros. Na sequência estão Cascavel (18.048), São José dos Pinhais (7.424) e Maringá (6.116).

Os principais fluxos migratórios são provenientes da Venezuela (76.548), Haiti (35.218) e Paraguai (24.814), seguidos por Cuba, Colômbia, Argentina, Peru, Líbano, França, Alemanha, Estados Unidos, Portugal e Bangladesh.

Cartilha e audiência pública

O deputado Goura também relembrou audiência pública realizada em novembro de 2025 para o lançamento da cartilha “Cidadania Sem Fronteiras”, voltada a orientar migrantes sobre documentação e acesso a direitos no Paraná.

“Essa cartilha foi feita em parceria com o Centro de Línguas da Universidade Federal do Paraná (Celin) e traduzida para seis idiomas: português, inglês, árabe, crioulo, espanhol e francês”, afirmou.

Segundo o parlamentar, as ações do mandato voltadas a migrantes e refugiados contam com apoio da assessora parlamentar e presidenta da Associação para a Solidariedade dos Haitianos no Brasil (ASHBRA), Laurette Bernadin.

União entre poder público e sociedade civil

Goura destacou a importância da articulação entre governo e sociedade civil para evitar retrocessos nas políticas públicas.

“Tenho certeza de que, com o apoio da sociedade civil e dos outros setores do poder público, a gente vai conseguir garantir com que não tenhamos retrocessos”, afirmou.

Ele também defendeu a ampliação do efetivo da Polícia Federal no Paraná e maior envolvimento das universidades estaduais em programas de revalidação de diplomas e ensino de português para migrantes.

“É muito importante que o povo do Paraná acolha o migrante, que a gente aprenda espanhol e outras línguas, como o francês e o crioulo, para que possamos também vencer esse preconceito que existe na sociedade”, finalizou.

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