Curitiba, PR – A atuação dos artistas de rua no Paraná entrou no centro do debate na Assembleia Legislativa durante uma audiência pública que reuniu produtores culturais, coletivos e representantes do poder público. O encontro evidenciou a necessidade de ampliar políticas culturais, reduzir entraves burocráticos e garantir o direito à ocupação dos espaços públicos como forma legítima de expressão artística.
Proposto pelo deputado Goura, o debate reuniu diferentes linguagens — do teatro ao grafite — e expôs um cenário em que a arte urbana segue sendo fundamental para a vida nas cidades, mas ainda enfrenta limitações estruturais e legais.
Arte de rua como expressão e direito
A discussão destacou que a presença artística nas ruas vai além da estética e se conecta diretamente com o uso democrático do espaço urbano.
“Discutimos a arte nos espaços públicos e as dificuldades que esses artistas encontram. Precisamos de políticas públicas de apoio, de não criminalização e de facilitação da manifestação artística”, afirmou Goura.
“Quando a gente tem arte na rua, a rua fica mais viva, mais segura e mais atrativa”, completou.
Artistas e articuladores culturais apontaram que a ausência de políticas públicas estruturadas e a fragmentação de legislações municipais dificultam o exercício da atividade.
“A gente depende de políticas que garantam o nosso direito à rua e o acesso da população à cultura. Hoje, muitas normas acabam sendo impeditivas”, afirmou Rogério Francisco Costa, da Rede Brasileira de Teatro de Rua.
A crítica recai principalmente sobre a inexistência de uma política nacional ou estadual consolidada, o que faz com que cada município adote regras próprias, muitas vezes restritivas.
“Como cada cidade define suas regras, acabamos desamparados. Isso impede nosso trabalho e o acesso da população às manifestações culturais”, destacou Rana Moscheta, também da rede.
Preconceito e criminalização
Além das dificuldades institucionais, os participantes relataram que o preconceito ainda é um obstáculo cotidiano para artistas urbanos.
“Esse debate abre caminhos que antes estavam travados. A gente precisa avançar no entendimento da arte urbana e diferenciar o que é expressão artística do que é questão legal”, afirmou o artista Michael Davis.
A criminalização de práticas como o grafite e performances em espaços públicos foi apontada como um dos principais entraves para a consolidação da arte de rua como atividade reconhecida.
A audiência também contou com a participação de parlamentares e representantes de instituições culturais, que se comprometeram a encaminhar as demandas apresentadas.
Entre os pontos discutidos estão a descentralização de editais culturais, ampliação do acesso a recursos públicos e reconhecimento formal de manifestações como o teatro de rua como patrimônio cultural.
O encontro foi encerrado com homenagem aos artistas de rua, simbolizada na figura do músico Ademir Antunes, conhecido como Plá, que há décadas ocupa os espaços públicos de Curitiba com sua arte.
O debate reforçou que a arte de rua permanece como uma das expressões mais diretas da cultura popular, conectando território, identidade e acesso democrático à cultura.
Mais do que entretenimento, os participantes defenderam que a presença artística nos espaços públicos é parte essencial da construção de cidades mais inclusivas, seguras e culturalmente ativas.
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