Ednaldo Rodrigues continuará à frente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) até 2026, após um acordo firmado com cinco dirigentes e a Federação Mineira de Futebol (FMF). A decisão foi necessária devido a uma ação em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF) que questionava a validade de seu afastamento, ocorrido em 7 de dezembro de 2023.

O STF deve homologar o acordo nos próximos dias. O documento já foi assinado por figuras como Antônio Carlos Nunes de Lima (Coronel Nunes), Castellar Neto, Fernando Sarney, Gustavo Feijó, Rogério Caboclo, além da FMF e da própria CBF.

A origem do processo que levou ao afastamento de Ednaldo remonta a 2018, quando o Ministério Público do Rio de Janeiro iniciou investigações relacionadas à eleição de Rogério Caboclo, seu antecessor. O MP questiona a conformidade do estatuto da CBF com a Lei Pelé, que estabelece pesos diferentes para os clubes nas votações para a escolha do presidente. Atualmente, os dirigentes das 27 federações estaduais têm peso 3, enquanto os clubes da Série A e B têm pesos 2 e 1, respectivamente.

Em 2021, a Justiça anulou a eleição de Caboclo e determinou uma intervenção na CBF, nomeando Rodolfo Landim, presidente do Flamengo, e Reinaldo Carneiro Bastos como interventores. Essa decisão foi posteriormente revertida.

Um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado entre a CBF e o Ministério Público, resultando na eleição de Ednaldo Rodrigues, então presidente interino, para um mandato completo em 2022, que vai até março de 2026. No entanto, Gustavo Feijó, vice na gestão de Caboclo, contestou a homologação do TAC, levando ao seu afastamento em dezembro.

Em 4 de janeiro de 2024, o ministro Gilmar Mendes deferiu uma liminar que permitiu o retorno de Ednaldo à presidência da CBF até que o caso fosse analisado pelo plenário do STF. Mendes destacou que a não aceitação da decisão do TJ-RJ pela FIFA poderia prejudicar o Brasil em questões urgentes, como a inscrição no Pré-Olímpico masculino para Paris-2024.

O PC do B (Partido Comunista do Brasil) também se envolveu na questão devido à ligação do secretário-geral da CBF, Alcino Reis Rocha, que já teve filiação ao partido e exerceu cargos relevantes no Ministério do Esporte.

Durante o afastamento de Ednaldo, a CBF foi liderada por José Perdiz de Jesus, presidente do Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), que iniciou o processo para uma nova eleição. Dois pré-candidatos emergiram: Flávio Zveiter, ex-chefe do STJD, e Reinaldo Carneiro Bastos, presidente da Federação Paulista de Futebol (FPF).

O desenrolar desse caso destaca as complexidades legais e políticas que cercam a gestão da CBF, bem como a influência de diferentes agentes na governança do futebol brasileiro.