PARANAGUÁ | PR – O extrativismo sustentável do açaí juçara está se consolidando como uma alternativa econômica estratégica para as comunidades caiçaras do Litoral paranaense. Nesta quarta-feira (1º), moradores da Ilha do Amparo e de Eufrasina participaram de uma oficina técnica promovida pela Portos do Paraná, focada em métodos avançados de coleta, despolpa e armazenamento do fruto nativo da Mata Atlântica.

Diferente da extração predatória do palmito, que abate a palmeira, o aproveitamento do fruto preserva a Euterpe edulis, espécie ameaçada de extinção. A capacitação, que integra o Programa de Educação Ambiental (PEA), busca profissionalizar a produção local, permitindo que comunidades tradicionalmente ligadas à pesca diversifiquem seu faturamento e fixem os jovens no território.

Valorização do saber local e segurança alimentar

A iniciativa não foca apenas na venda externa, mas também na introdução do açaí juçara — rico em ferro, cálcio e antioxidantes — na merenda escolar das comunidades. Segundo a coordenação de Sustentabilidade da Portos do Paraná, o fortalecimento dessa cadeia produtiva cria um ciclo de saúde e conservação.

“Oferecer novas oportunidades de renda é uma forma de incentivar os jovens a permanecerem na comunidade, sem a necessidade de buscar emprego em grandes centros. Queremos fazer com que a internet e o conhecimento técnico sirvam para criar um futuro mais harmonioso e próspero para essas famílias.” — Pedro Pisacco, Coordenador de Sustentabilidade da Portos do Paraná.Tecnologia aplicada ao trabalho artesanal

O aprendizado prático foi conduzido pelo Instituto Juçara de Agroecologia. Durante a oficina, os moradores utilizaram despolpadeiras e seladoras térmicas, equipamentos que permitem o consumo e a comercialização do produto durante todo o ano, superando a sazonalidade da colheita, que ocorre entre março e maio.

Protagonismo feminino na Ilha do Amparo

A pescadora Edneia Pereira, moradora da ilha há 45 anos, é um exemplo do impacto direto da ação. Através de uma associação de mulheres local, ela planeja expandir a produção para itens de valor agregado, como pães e geleias.

“A gente já tem uma associação de mulheres aqui na ilha e, nos próximos eventos, queremos levar pães e geleias de açaí para vender. A despolpadeira doada ajuda muito nesse processo, transformando o que temos no quintal em sustento para nossas famílias.” — Edneia Pereira, moradora e produtora local.

Desde 2019, a Portos do Paraná já capacitou 131 pessoas em oficinas voltadas ao açaí juçara. O programa reafirma o compromisso com a engenharia social e ambiental, promovendo cursos gratuitos que vão da organização comunitária à valorização do bioma local.

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