SÃO PAULO (SP) — A palavra televisão deriva da junção dos termos “tele”, que significa distância, e “visão”, definindo desde sua origem a proposta do meio: permitir ver à distância. Seu funcionamento baseia-se na análise e conversão da luz e do som em sinais elétricos transformados em ondas eletromagnéticas, capazes de transmitir imagens e áudio em tempo quase real.

O uso massivo da televisão intensificou-se após a Segunda Guerra Mundial, impulsionado por avanços tecnológicos desenvolvidos em função das demandas do conflito e pela ampliação da renda disponível no período do pós-guerra. Na década de 1930, um aparelho de televisão podia custar o equivalente a milhares de dólares atuais, além de haver escassez de programação, o que restringia seu acesso a uma parcela muito reduzida da população.

Do ponto de vista técnico, o desenvolvimento do iconoscópio foi decisivo. Trata-se de um dispositivo optoeletrônico no qual a imagem em preto e branco era projetada sobre uma placa recoberta por partículas fotossensíveis. Pela ação fotoelétrica, essas partículas emitiam elétrons, que eram captados por um feixe eletrônico, permitindo a conversão da imagem em sinal transmissível.

O avanço dessa tecnologia está diretamente associado ao trabalho do engenheiro russo-americano Vladimir Zworykin, considerado um dos pioneiros da televisão moderna. Para ele, o iconoscópio representava “uma reprodução eletrônica do olho humano”, antecipando debates posteriores da neuropsicologia sobre o papel da visão como principal janela de acesso do cérebro à realidade.

Essa aproximação entre imagem, percepção e mente ampliou teorias críticas segundo as quais os aparelhos de transmissão eletromagnética poderiam influenciar comportamentos. Durante a Segunda Guerra, a televisão foi utilizada em experimentos passivos e ativos de comunicação, abrindo caminho para a consolidação da publicidade como ferramenta central de persuasão social. A partir desse contexto, ganhou força a lógica de que “quem consome informação pode ser programado”.

A televisão passou então a desempenhar um papel semelhante ao da educação, no sentido de formar referências, valores e visões de mundo. Essa característica foi alvo de críticas ainda no século XX. Sigmund Freud, ao refletir sobre o cinema, já alertava para os efeitos de estímulos involuntários sobre a consciência, afirmando: “À interpretação cabe o trabalho de reconstruir a coerência que a elaboração onírica destruiu”.

Com a popularização do televisor, estabeleceu-se uma inversão simbólica entre buscar e receber. O conteúdo passou a ser consumido de forma passiva, e aquilo que é recebido tende a ser reproduzido e defendido instintivamente. Nesse processo, o consumismo se expandiu e a busca ativa por informação perdeu espaço, fenômeno frequentemente associado ao conceito de alienação social.

A crítica cultural também se manifesta na música e na literatura. A banda brasileira Ponto de Equilíbrio sintetiza essa percepção ao afirmar:
**“Na infância você chora, te colocam em frente da TV, trocando as suas raízes por um modo artificial

Darcy Ribeiro: pensamento, política e a invenção do Brasil popular