José Adilson Rodrigues dos Santos, conhecido como Maguila, faleceu nesta quinta-feira, 24 de outubro, aos 66 anos. A notícia foi confirmada pela sua esposa, Irani Pinheiro. Maguila, um ícone do boxe brasileiro e mundial, lutava contra a encefalopatia traumática crônica, também conhecida como demência pugilística, uma condição similar ao Alzheimer, diagnosticada em 2013 e frequentemente associada a ex-atletas de boxe devido a golpes repetidos na cabeça.

Nascido em Aracaju, Maguila se apaixonou pelo boxe ao assistir às lutas de seus ídolos, como Éder Jofre e Muhammad Ali, em uma televisão preto e branco na casa de um vizinho. Em uma entrevista de 2015, ele relembrou sua admiração por Ali: “Eu me interessei por boxe porque eu sempre fui fã do Muhammad Ali. Quando eu comecei a assistir, nem televisão tinha em casa.”

Uma Trajetória de Superação

Maguila começou sua carreira no boxe mais tarde, aos 14 anos, quando se mudou para São Paulo em busca de melhores oportunidades. Enfrentou dificuldades extremas, incluindo a fome, e recordou: “Fiquei amarelo, pálido. Foram três meses (comendo) pão com banana.” Sua jornada no pugilismo começou em 1979, e em 1981 ele fez sua primeira luta na “Forja de Campeões”, sob a orientação do técnico Ralph Zumbano, tio de Éder Jofre.

O lutador conquistou o título brasileiro em 1983, derrotando Waldemar Paulino no histórico ginásio do Ibirapuera. Ele se destacou como campeão sul-americano em 1984, mantendo seu título por uma década. Ao longo de sua carreira de 17 anos, Maguila acumulou 77 vitórias em 85 lutas, sendo 61 delas por nocaute.

Enfrentando os Gigantes do Boxe

Na década de 90, ele teve a oportunidade de enfrentar dois dos maiores nomes do boxe mundial: Evander Holyfield e George Foreman. Infelizmente, ele saiu derrotado em ambas as lutas, com Holyfield lhe tirando a chance de conquistar o cinturão do Conselho Mundial de Boxe.

Fora dos Ringues

Além de sua carreira no boxe, Maguila era uma figura folclórica no Brasil. Em 2009, lançou o álbum “Vida de Campeão”, que incluía a música-título de sua autoria, junto a sambas consagrados. Ele também trabalhou na televisão, incluindo a função de comentarista de economia.

Fã de samba, Maguila foi homenageado ao se tornar enredo da escola de samba “Me Chama Que Eu Vou” no desfile virtual de 2021. A canção “Para que nunca se esqueça, um abraço, Maguila”, escrita pelo compositor Thiago de Souza, perpetua seu legado na cultura popular.