Por Amilton Farias – Opinião
Por mais de 400 anos lutamos contra o racismo dentro e fora das nossas fronteiras, a justiça social e econômica para todas e todos é uma questão de dignidade humana e respeito pelo outro. Resistir é preciso, contra os casos de inferioridade, contra a cultura do racismo, e contra mortes de negros e negras diariamente no país.
De acordo a pesquisa da Rede de Observatórios de Segurança mostram que em 8 estados, 90% das vítimas da polícia são negras, é importante resaltar que nesses oito estados, uma pessoa negra morreu pelas mãos da polícia a cada quatro horas no ano passado.
A Bahia é o estado com maior popostção de vítimas negras, ficando em primeiro lugar, com 94,7% — pretos e pardos somam 80% da população no estado. Na sequência vêm Pará (93,9%), Pernambuco (89%), Piauí (88%) e Rio de Janeiro (86%).
No ano passado, a Bahia ultrapassou o Rio de Janeiro no número de mortes praticadas por policiais. Os dois estados foram responsáveis por 66,23% do total dos óbitos por intervenção policial, percentual que salta para 78% quando apenas as vítimas negras são contabilizadas.
No país os negros são o grupo demográfico com maior probabilidade de ser morto pela polícia em comparação com os brancos., dados interessante é que dados mostram que negros têm 1,3x mais probabilidade de estar desarmados do que os brancos, ainda assim a maioria dos assassinatos cometidos pela polícia começa com paradas de trânsito, exames de saúde mental e crimes não violentos – momentos em que nenhum crime foi alegado.
É uma loucura que, embora tenhamos visto protestos recordes em 2020 e até agora contra a brutalidade policial e a injustiça racial, os números mostram que as coisas estão piorando. Um impulso global e um apelo claro de pessoas em todo o mundo – mas estamos regredindo?
Na foto temos um dos casos que chocou o país, o jovem Jorge Rodrigues Filho foi morto em abordagem policial após sair de casa em novembro de 2022. O boletim da polícia diz que ele estava em moto roubada e apontou arma de brinquedo, mas a família contesta versão: “ele não era ladrão, era trabalhador”, diz mãe
Jorge trabalhava como ajudante geral numa empresa de caçambas de caminhão do pai, que é separado da mãr, tinha 21 anos e foi morto no bairro Residencial Sol Nascente, na zona oeste da cidade de São Paulo
Jorge é apenas um exemplo no meio de jovens negros assassinados no país, o mais angustiante é que os argumentos da polícia é o mesmo: “Ele provavelmente estava armado”. “Ela deveria ter ficado calma.” “Eles não deveriam ter fugido.” Na realidade, estas são apenas desculpas esfarrapadas que a polícia usou para alegar que temia pelo fim da sua vida.
Mas sejamos realistas: nenhuma destas razões poderia alguma vez justificar que um agente da polícia tirasse a vida de uma pessoa – especialmente quando a maioria destes encontros policiais que terminaram em mortes não continham qualquer alegado crime.
Há uma verdade nestas conclusões que mesmo os contra-argumentos mais ridículos não poderiam negar: o racismo existe e prospera no policiamento, e o policiamento é uma forma de supremacia branca.
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*Amilton Farias é jornalista do Portal Fronteira Livre
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