BUENOS AIRES (Argentina) – Fundado em 13 de junho de 1897, o jornal La Protesta tornou-se o mais importante periódico do anarquismo argentino e um dos principais órgãos da imprensa libertária internacional. Criado por um grupo de trabalhadores militantes ligados a diversos sindicatos, o jornal nasceu sob o nome La Protesta Humana, assumindo posteriormente a denominação simplificada La Protesta, que permanece até os dias atuais.

Em seus primeiros anos, o periódico atuou como uma voz não oficial da Federación Obrera Regional Argentina, organização central do movimento operário argentino. Ao longo do tempo, o jornal acompanhou — e influenciou — as disputas internas do anarquismo no país, posicionando-se a favor da linha organizadora, do anarcossindicalismo e da rejeição ao terrorismo individualista.

Dirigido inicialmente pelo marceneiro espanhol Gregorio Inglán Lafarga, La Protesta Humana reuniu um expressivo grupo de intelectuais, militantes e escritores libertários. Entre seus colaboradores estiveram nomes como José Prat, Pietro Gori, Antonio Pellicer Paraire (Pellico), Diego Abad de Santillán, Emilio López Arango, Rodolfo González Pacheco e o mexicano Ricardo Flores Magón, além de importantes pensadores espanhóis como Ricardo Mella e Anselmo Lorenzo.

Durante sua primeira fase, o jornal teve periodicidade quinzenal e depois semanal, até transformar-se em diário matutino em 1º de abril de 1904, alcançando uma tiragem histórica de 100 mil exemplares, um número excepcional para a época. A redação e a gráfica própria foram instaladas na rua Córdoba, nº 359, em Buenos Aires, consolidando o jornal como um centro de produção intelectual e política.

La Protesta teve atuação direta em conflitos trabalhistas, campanhas contra deportações arbitrárias de militantes e na defesa das liberdades civis. Um caso emblemático ocorreu em 1897, quando o jornal organizou uma campanha bem-sucedida contra a deportação do anarquista catalão Torrens Ros, impedindo sua expulsão do país.

A publicação também enfrentou perseguições sistemáticas, especialmente após a promulgação da Lei de Residência, em 1902, que permitiu a expulsão sumária de estrangeiros considerados “subversivos”. Suas oficinas foram fechadas diversas vezes, sobretudo durante períodos de estado de sítio, como após a Revolução Radical de 1905 e durante as repressões de 1910.

Mesmo diante da censura, La Protesta manteve um elevado padrão intelectual, publicando suplementos literários e político-ideológicos, além de lançar, em 1910, o vespertino La Batalla, tornando-se o único jornal anarquista do mundo a editar simultaneamente uma publicação diária e outra vespertina.

Ao longo do século XX, o jornal acompanhou o declínio da influência do anarquismo no movimento operário argentino, mas nunca deixou de circular por completo. Participou ativamente dos debates internos do movimento libertário e seguiu como referência crítica frente ao autoritarismo, ao capitalismo e às estruturas repressivas do Estado.

Mais de um século após sua fundação, La Protesta continua sendo publicada, mantendo viva a tradição da imprensa anarquista e ocupando um lugar singular na história política, social e cultural da Argentina.

Nova lei reconhece agentes da Defesa Civil e reforça prevenção no Paraná