Foz do Iguaçu–PR. O Rap paranaense tem nome, sobrenome e uma postura inabalável. Mano Beto, figura respeitada na cena local, traz em suas letras a vivência de quem cresceu entre o skate e as rimas, transformando a observação social em música de combate. Em conversa exclusiva com o Fronteira Livre, ele reafirma que o Rap não é apenas entretenimento, mas um dever de passar boas informações e resgatar vidas.

As origens e as referências

A caminhada começou cedo. Aos 12 anos, Mano Beto já rascunhava as primeiras rimas, influenciado por gigantes como Racionais MC’s, GOG e RZO. Mas sua sonoridade não se limita às batidas eletrônicas; ele busca no Blues, no Rock e no Reggae a inspiração para inserir instrumentos como gaita e violão em suas produções, trazendo mais musicalidade ao gênero.

O Rap como ferramenta de transformação

Questionado sobre o poder de mudança do estilo, Mano Beto é categórico: o Rap transforma. Para ele, a música refletiu em suas atitudes e na sua visão de mundo. Sobre o estigma de que o Rap seria “som de marginal”, ele rebate com tranquilidade: “Isso não me afeta. Para mim, o Rap é cultura, resgata pessoas e passa informações fundamentais. Quem leva a sério, sabe do que estou falando”.

Cena paranaense e parcerias

O rapper exalta a qualidade da produção local, afirmando que o Paraná possui grupos que batem de frente com qualquer cena nacional ou internacional. Sua trajetória é marcada por parcerias fortes, gravando com nomes como Edgar MC e colaborando com o coletivo Filo Ataque de Letras, de Curitiba, além de participações em eventos marcantes como o 3º Rap-Tura.

Mídia e independência

Para Mano Beto, utilizar a mídia para divulgação é uma necessidade, mas o segredo está em não se deixar influenciar por ela. “Os que fazem por amor não se vendem. Dependemos da mídia para divulgar, mas sempre influenciando o sistema e não sendo influenciados por ele”, destaca.

Salve final

Encerrando a conversa, Mano Beto deixa um recado para a militância e para os fãs: “O Rap é nossa força contra a opressão e a discriminação. Cada um tem um dom, e para muitos de nós, esse dom é o Rap. Cabeça erguida sempre!”


 

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