Foz do Iguaçu, PR – A possibilidade de ampliar o monitoramento climático no Paraná com a instalação de novas estações meteorológicas em áreas estratégicas entrou em discussão nesta semana. A proposta envolve dois pontos considerados sensíveis para a leitura do clima no estado: o Parque Estadual Pico Paraná, na Serra do Mar, e o Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, no litoral.

As sugestões foram apresentadas pelo deputado estadual Goura ao presidente do Simepar, Paulo de Tarso, e agora dependem de articulação técnica entre os órgãos envolvidos.

Atualmente, a estação meteorológica mais elevada do Paraná está localizada no complexo do Marumbi, a cerca de 1.500 metros de altitude. A proposta prevê a instalação de um novo ponto de monitoramento no Pico Paraná, que ultrapassa os 1.850 metros — o ponto mais alto da região Sul do Brasil.

A diferença de altitude e a distância de aproximadamente 25 quilômetros em linha reta em relação ao Marumbi podem permitir a coleta de dados mais detalhados sobre o comportamento climático na Serra do Mar, região marcada por variações rápidas de temperatura, umidade e ocorrência de chuvas intensas.

Além disso, o local já possui estruturas que podem facilitar a instalação de equipamentos, o que reduz a complexidade operacional do projeto.

A ampliação da rede de monitoramento pode ter impacto direto em atividades de prevenção e resposta a emergências, especialmente em áreas de montanha.

Uma das propostas discutidas é a parceria com o Corpo de Socorro em Montanha (COSMO), que já atua na região e participa de operações de resgate e formação técnica no Parque Estadual do Marumbi.

O acesso a dados mais precisos pode auxiliar tanto gestores ambientais quanto equipes de resgate, especialmente em situações de risco envolvendo turistas e praticantes de atividades ao ar livre.

A segunda proposta envolve a instalação de uma estação meteorológica no Parque Nacional Marinho das Ilhas dos Currais, localizado a cerca de 10 quilômetros da costa paranaense.

Criado pela Lei Federal nº 12.829/2013, o parque abrange aproximadamente 1.400 hectares e é administrado pelo ICMBio.

Por se tratar de uma unidade de conservação federal, a implantação da estação depende de parceria entre o ICMBio e o Simepar. A proposta prevê o uso de tecnologias de monitoramento remoto para coleta de dados ambientais no local.

“O Simepar tem interesse nessa parceria, especialmente na manutenção da possível estação. Vamos agendar uma reunião com o ICMBio para discutir essa possibilidade”, afirmou Paulo de Tarso.

Segundo o ICMBio, iniciativas desse tipo contribuem para fortalecer o monitoramento ambiental, a pesquisa científica e a gestão das unidades de conservação.

“Manifestamos interesse em estabelecer parceria com o Simepar, visando ao planejamento e à implantação de tecnologias para coleta de dados ambientais remotos no parque”, destacou Marcio Ricardo Fela, chefe do núcleo do ICMBio em Matinhos.

A expectativa é que os novos pontos de coleta ampliem a capacidade de análise do clima em regiões onde hoje há menor cobertura de dados.

Encaminhamentos técnicos

Além das novas estações, também foi proposta a formalização de parceria para manutenção da estação meteorológica do Marumbi, instalada em 2025, com participação do COSMO.

Como próximo passo, o Simepar deve articular uma reunião técnica com os órgãos envolvidos para avaliar a viabilidade das propostas e definir possíveis etapas de implementação.

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