Foz do Iguaçu, PR – Um estudo publicado na revista científica Atmosphere aponta que a redução da cobertura de nuvens em diferentes regiões do planeta já está contribuindo para o aumento do aquecimento global e para a intensificação de eventos climáticos extremos. A pesquisa identifica mudanças no balanço de energia da Terra, com impactos diretos sobre a temperatura e o comportamento do clima.
O trabalho foi conduzido pelo pesquisador Humberto Barbosa, fundador do Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (LAPIS), em parceria com José Prieto, que atuou por anos na EUMETSAT. A análise utilizou dados do satélite Meteosat, cobrindo o período de 2005 a 2024.
Segundo o estudo, a redução da cobertura de nuvens interfere diretamente na forma como a Terra regula sua temperatura. As nuvens exercem papel fundamental ao refletir parte da radiação solar de volta ao espaço. Com menos nuvens, essa proteção diminui.
Os dados indicam que o planeta está refletindo cerca de 1,3% menos radiação solar, enquanto a emissão de calor aumentou aproximadamente 0,4%, configurando um cenário de desequilíbrio energético crescente.
Na prática, isso significa que mais energia está sendo absorvida pela superfície terrestre, intensificando o aquecimento global.
A pesquisa identifica áreas onde a redução de nuvens é mais significativa e onde o acúmulo de calor já apresenta efeitos mais evidentes. Entre elas estão:
- Nordeste do Brasil
- Atlântico Norte
- Europa Oriental
- Costa oeste da África
Nessas regiões, o estudo aponta associação direta entre a diminuição da cobertura de nuvens, o aumento das temperaturas e a maior frequência de eventos climáticos extremos.
Outro ponto relevante do estudo é o papel dos oceanos nesse processo. Parte do calor adicional não permanece apenas na atmosfera, mas é absorvida pelos mares.
Segundo a análise, o aquecimento já atinge camadas de até 170 metros de profundidade, indicando que o sistema climático está armazenando energia de forma prolongada.
Como os oceanos funcionam como reguladores térmicos do planeta, esse acúmulo pode influenciar padrões climáticos por anos ou até décadas.
Enfraquecimento de mecanismo natural de resfriamento
Os autores destacam que a redução da cobertura de nuvens pode estar enfraquecendo um dos principais mecanismos naturais de resfriamento da Terra.
Esse processo, se mantido, tende a acelerar as mudanças climáticas, ampliando a intensidade e a frequência de fenômenos extremos, como ondas de calor, secas prolongadas e chuvas intensas.
O estudo reforça que alterações aparentemente sutis, como a variação na cobertura de nuvens, têm impacto direto no equilíbrio climático global.
Serviço
📄 Acesse o estudo completo:
https://www.mdpi.com/2073-4433/17/4/385
Mais de 584 mil paranaenses já enviaram declaração do Imposto de Renda