Foz do Iguaçu, PR – Vinte e duas professoras da rede pública municipal de Santa Helena, no Oeste do Paraná, participaram de uma imersão em pesquisas científicas voltadas à fauna e à flora da Mata Atlântica. A atividade integrou o I Workshop de Sociobiodiversidade Local, promovido pela Itaipu Binacional, Itaipu Parquetec e o Instituto Federal do Paraná (IFPR), realizado nos dias 26, em Foz do Iguaçu, e 27 de março, em Santa Helena.
O destaque da programação foi a etapa prática realizada no Refúgio Biológico Santa Helena, onde as docentes acompanharam de perto metodologias científicas aplicadas em estudos ambientais, como captura de fauna e coleta de flora. Os dados obtidos nessas pesquisas contribuem para a avaliação das ações de conservação da Mata Atlântica na região.
Santa Helena foi escolhida como sede da atividade por sua relevância ambiental. O município é o que mais contribuiu para a regeneração da Mata Atlântica no Paraná, segundo levantamentos da SOS Mata Atlântica e do MapBiomas.
Durante a prática, as participantes foram divididas em grupos e passaram por diferentes estações temáticas, conduzidas por especialistas em aves, mamíferos, insetos e aracnídeos, herpetofauna que inclui répteis e anfíbios e flora.
Para a professora Marinês Poleto, da Escola Municipal Pedro Álvares Cabral, a experiência amplia as possibilidades pedagógicas em sala de aula.
“A gente não imagina que tem essa riqueza assim tão perto”, afirmou. “Vivenciar essas pesquisas traz uma bagagem que a gente leva para a sala de aula. Quando o aluno vê o entusiasmo, o brilho no olho do professor, isso desperta o interesse dele pela ciência”.
A iniciativa prioriza a formação de docentes como estratégia para ampliar o alcance do conhecimento científico nas escolas. As atividades estão vinculadas ao eixo de Biodiversidade do Núcleo de Inteligência Territorial (NIT), sediado no Itaipu Parquetec, responsável pela produção de dados que subsidiam ações socioambientais da Itaipu Binacional.
Segundo o biólogo Gabriel Lobregat de Oliveira, da Divisão de Áreas Protegidas da empresa, o objetivo é multiplicar o conhecimento.
A expectativa é de que o curso vai multiplicar, por meio das escolas, a transferência dos conhecimentos que a gente tem sobre a biodiversidade das áreas protegidas da Itaipu”, explicou.
A gerente do Departamento de Reservatório e Áreas Protegidas, Veridiana Pereira, destacou o desafio de tornar o conteúdo científico mais acessível ao público.
“Muitas vezes, a dificuldade que os pesquisadores e técnicos têm é a de transformar o conteúdo das pesquisas em algo atraente, acessível para os alunos. Nosso jargão técnico às vezes afasta o público. Mas este projeto tem a riqueza de mostrar o amor, a paixão que esses pesquisadores têm pelo tema”, afirmou. “E, com certeza, o resultado disso serão mais biólogos, mais médicos veterinários, mais engenheiros florestais”.
Durante a abertura do workshop, o coordenador do NIT, Fagner de Oliveira, ressaltou a influência das áreas protegidas na formação pessoal e profissional.
“Fui morador da Vila C e foi visitando o Refúgio Biológico Bela Vista que tive o primeiro contato com certos animais, com a mata. Na minha cabeça de criança toda cidade, todo bairro tinha isso. Mas daí a gente cresce e vê como esse lugar é especial. E isso me influenciou a trabalhar com esse tema hoje”, relatou.
O diretor do IFPR Campus Curitiba, Giancarlo de França Aguiar, também destacou o impacto da iniciativa na comunidade.
“A Itaipu tem grande importância para a biodiversidade, a preservação e o resgate da natureza do nosso País”, afirmou. “A partir dessas iniciativas da empresa e de seus editais é que a gente consegue fomento para transformar ensino e pesquisa em qualidade de vida para as comunidades do território”.
Lula diz que inclusão social é chave para crescimento econômico