CURITIBA | PR – A educação surge como a ferramenta central no enfrentamento à violência contra a mulher no Paraná. Um novo Projeto de Lei, apresentado na Assembleia Legislativa pela deputada estadual Luciana Rafagnin (PT), propõe a instituição da “Campanha de Educação para a Não Violência” em todas as unidades escolares do estado. O diferencial da proposta está no público-alvo: o foco são meninos, adolescentes e homens da comunidade escolar, visando atacar a raiz cultural do problema.
A iniciativa surge em um momento crítico, onde educadores relatam preocupação com o avanço de discursos de ódio e comportamentos agressivos em ambientes digitais e presenciais. Ao promover debates sobre igualdade e respeito, o projeto busca transformar o ambiente escolar em um espaço de desconstrução de estereótipos de gênero e fortalecimento de uma cultura de paz.
Prevenção e formação de novas gerações
Para a autora da proposta, a mudança real nos índices de feminicídio e agressão depende de uma base educacional sólida. O projeto prevê ações permanentes, como rodas de conversa e atividades pedagógicas que envolvam os alunos em temas como empatia e convivência democrática. Além disso, o texto destaca a necessidade de formação continuada para professores, garantindo que os profissionais estejam preparados para mediar esses diálogos.
“A prevenção da violência também passa pela educação. Precisamos formar meninos e jovens para relações baseadas no respeito, na empatia, na convivência democrática e na igualdade de gênero”, defende Luciana Rafagnin.
Violência digital e dados alarmantes
A campanha pretende enfrentar não apenas o assédio físico e a violência sexual, mas também práticas de discriminação que ganham força nas redes sociais. A urgência da medida é reforçada por dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSe), do IBGE, que revelam uma estatística devastadora: aproximadamente 25% das estudantes adolescentes no Brasil já foram vítimas de algum tipo de violência sexual.
O diretor do Colégio Estadual do Paraná, Cesar Augusto Cruz, e o coordenador Rafael Pinheiro Deina, que participaram da construção do diálogo em torno da proposta, reforçam que o uso responsável das redes sociais é um dos pilares para frear a violência de gênero entre os mais jovens. Com o projeto, o Paraná tenta dar um passo decisivo para que as escolas deixem de ser apenas locais de instrução técnica e passem a ser centros de formação humana e cidadã.
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