Por Patricio Montesinos | Rebelión/Resumen Latinoamericano
Tradução: Amilton Farias/Fronteira Livre
Ao longo de sua história, os Estados Unidos utilizaram a mentira como uma arma vulgar com o propósito de justificar crimes de lesa-humanidade, assassinatos seletivos, sequestros de mandatários, agressões, intervenções militares e guerras, em benefício de seus interesses de dominação global.
O presidente Donald Trump não é exceção entre seus antecessores; pelo contrário, é o expoente máximo da mitomania que, mais do que uma doença psicológica, é parte de uma política muito antiga de Washington dirigida a se impor no mundo.
Enganar assiduamente a opinião pública internacional com declarações contraditórias e ambivalentes tem sido uma prática de Trump desde seu primeiro mandato, intensificada em seu retorno à Casa Branca no ano passado.
Exemplos de sua conduta agressiva e mentirosa são numerosos na atualidade, entre os quais se destacam a guerra desencadeada contra o Irã, o sequestro do chefe de Estado da Venezuela, Nicolás Maduro, e as contínuas agressões a Cuba — como o recente bloqueio petrolífero que acirrou ainda mais o prolongado cerco econômico, comercial e financeiro à ilha caribenha.
O roteiro farsante tem sido o mesmo: é necessária uma “mudança de regime” nesses países porque constituem uma ameaça à segurança dos EUA. É preciso obrigá-los a negociar com um punhal no peito para que seus líderes máximos abandonem o poder e, se negarem, encorajar e financiar a subversão interna em suas nações e utilizar a força para derrubá-los.
O chefe de Washington parece ter se encorajado com o sequestro de Maduro e sua esposa no início deste ano e, em seguida, partiu para o ataque contra o Irã em fevereiro passado, país contra o qual iniciou uma guerra em meio a negociações que ambas as partes sustentavam.
O inquilino da Casa Branca, com sua costumeira prepotência e verborragia, estipulou datas para a derrota da nação persa repetidas vezes, mas o fato é que, até hoje, EUA e Israel não conseguiram dobrá-la.
O Irã respondeu com força e precisão aos ataques de seus oponentes, e agora Trump parece estar em um beco sem saída. Por essa razão, embora esconda a verdade, busca uma saída negociada diante de um possível e escandaloso revés que pode levar ao fim seu sonho de aspirante a imperador.
Os governantes de Teerã reiteraram que foram Washington e Tel Aviv que começaram o conflito bélico e que cabe, portanto, aos iranianos decidir quando a contenda terminará. Eles descartaram, além disso, um eventual cessar-fogo e o reinício de conversas com seus inimigos.
Enquanto isso, os EUA se isolam cada vez mais do mundo, incluindo seus aliados da União Europeia (UE) membros da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a maioria dos quais negou um pedido do Pentágono para enviar navios de guerra ao Estreito de Ormuz para obrigar o Irã a abri-lo e permitir a passagem de superpetroleiros.
Teerã expressou, a esse respeito, que a passagem de Ormuz está aberta aos seus amigos, mas não aos seus adversários.
Há poucas horas, Trump também investiu contra a imprensa estadunidense, a qual acusou de traidora por informar com objetividade sobre o diferendo com o Irã.
Diz o ditado popular que a mentira tem pernas curtas. Isso está se evidenciando no convulso mundo atual, colocando à beira do abismo o ocupante do Salão Oval e seu decadente império mitômano.
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