Betim, MG – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acompanhou, nesta sexta-feira (20), o anúncio de R$ 9 bilhões em investimentos da Petrobras em Minas Gerais. A agenda ocorreu na Refinaria Gabriel Passos (Regap), onde estão previstos aportes iniciais de R$ 3,8 bilhões e a geração de cerca de 8 mil empregos no período do Plano de Negócios da companhia (2026-2030).
Os investimentos integram um conjunto de iniciativas voltadas à ampliação da capacidade de produção de combustíveis, à geração de empregos e à modernização operacional da unidade. A estimativa é de que, ao longo de dez anos, sejam gerados até 36 mil postos de trabalho no estado com projetos ligados à refinaria e outras operações da Petrobras.
Durante o evento, o presidente destacou o aumento da capacidade produtiva da unidade.
“Essa refinaria aqui estava produzindo apenas 60% daquilo que ela tinha capacidade de produzir. Isso é importante para vocês saberem, porque muitas vezes a gente se esquece das coisas ruins que outros fizeram e a gente acha que tudo sempre foi maravilhoso”, afirmou.
Em outro momento, acrescentou:
“Essa refinaria não vai ficar produzindo só 170 ou 200 [mil]. Ela vai chegar a 240 mil barris de produção de petróleo”.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, ressaltou a retomada dos investimentos na unidade e a perspectiva de ampliação da produção.
“Essa refinaria aqui, poucos anos atrás, produzia com 60% da sua capacidade. […] Os investimentos voltaram e essa refinaria está produzindo 100%. Até o fim do ano que vem ela vai estar produzindo 200 mil barris de petróleo por dia”, declarou.
Segundo Chambriard, a companhia manteve resultados positivos mesmo diante da queda no preço internacional do petróleo.
“Nosso lucro em 2025, apesar da queda brusca do preço do petróleo, foi 200% maior do que o lucro de 2024. […] A nossa premissa básica é evitar o repasse do nervosismo internacional e da volatilidade do preço internacional para o mercado brasileiro”, afirmou.
Com capacidade atual de processamento de 166 mil barris por dia, a Regap responde por cerca de 9% da produção de derivados da Petrobras. Em 2026, foram iniciadas obras para ampliar a capacidade em 25 mil barris diários, com previsão de início de operação em 2027. Também está em estudo uma expansão adicional de 59 mil barris por dia, o que pode elevar a capacidade total da unidade em até 50%.
Entre os projetos anunciados, está a implantação de uma usina fotovoltaica na refinaria, com investimento de R$ 63 milhões. A estrutura conta com cerca de 20 mil placas solares distribuídas em 24 hectares e capacidade de geração de 13,3 mil kW, volume suficiente para abastecer aproximadamente 10 mil residências. A expectativa é reduzir em 20% o consumo de energia da unidade.
Com a operação da usina, a Petrobras estima evitar a emissão de cerca de 8 mil toneladas de CO₂ por ano, contribuindo para metas de descarbonização. O projeto foi financiado com recursos do Fundo de Descarbonização da empresa, voltado à redução de emissões nas operações.
No campo da transição energética, a refinaria também avança na produção de combustíveis de menor impacto ambiental. Está em implantação a produção de combustível sustentável de aviação (SAF), além da produção de Diesel R, com conteúdo renovável. As iniciativas atendem às diretrizes da Lei do Combustível do Futuro e a exigências internacionais do setor aéreo.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou medidas para reduzir impactos das oscilações do mercado internacional sobre os consumidores.
“Infelizmente nós estamos enfrentando essa flutuação, mas o Brasil não deixou de tomar as medidas necessárias para poder impedir que os brasileiros paguem pela guerra”, afirmou.
Ele também mencionou o reforço na fiscalização do setor de combustíveis:
“O Governo Federal estará presente defendendo consumidores de combustíveis no Brasil e de suprimento”.
Além da ampliação produtiva, os investimentos devem impulsionar a economia regional por meio da cadeia de fornecedores. Atualmente, a refinaria conta com cerca de 16 mil fornecedores cadastrados, 480 contratos ativos e aproximadamente R$ 28 bilhões em contratos firmados.