RIO BONITO DO IGUAÇU | PR – A lentidão na resposta estatal às famílias atingidas pelo tornado de novembro de 2025 em Rio Bonito do Iguaçu virou alvo de fiscalização oficial. A deputada estadual Luciana Rafagnin (PT) acionou o Ministério Público do Paraná (MP-PR) para que acompanhe e fiscalize a reconstrução das moradias e a efetiva concessão de benefícios prometidos pelo Governo do Estado. O pedido foi formalizado junto à 1ª Promotoria de Justiça de Laranjeiras do Sul, sob responsabilidade do promotor Igor Rabel Corso.
A representação solicita a apuração de possíveis irregularidades na execução da política habitacional emergencial, na aplicação de recursos públicos e no fluxo de pagamento dos auxílios financeiros. O desastre, ocorrido há quatro meses, destruiu quase a totalidade da área urbana do município, deixou milhares de desabrigados e resultou na morte de sete pessoas.
Atrasos no cronograma e moradias precárias
O foco principal da denúncia reside na discrepância entre as promessas oficiais e a realidade no canteiro de obras. O Governo do Estado havia anunciado a entrega de 320 casas em um prazo estimado de 90 dias. Contudo, transcorrido o período, as unidades habitacionais — que utilizam modelos de módulos pré-fabricados via Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) — ainda não foram finalizadas.
Relatos colhidos pelo jornalista Luís Lomba e pelo fotógrafo Joka Madruga, do portal Vigília Comunica, indicam que a única unidade entregue até o momento apresenta características de alojamento provisório. Moradores relatam insegurança estrutural, apontando fragilidades na base da construção que podem não resistir a novas intempéries climáticas.
“As famílias estão esperando a ajuda prometida pelo Governo do Estado. Estamos falando de pessoas que perderam tudo, de estudantes que precisam de escolas para estudar e de trabalhadores que dependem de estrutura para retomar suas vidas”, afirma a deputada Luciana Rafagnin.
Falhas no pagamento de benefícios e falta de transparência
Além do déficit habitacional, há graves denúncias sobre a interrupção no pagamento dos auxílios para reforma. Das 654 famílias que optaram por recuperar suas próprias casas com apoio financeiro, muitas afirmam não ter recebido a totalidade dos valores. Em um dos casos citados na representação, uma moradora que deveria receber R$ 20 mil (divididos entre material e mão de obra) relata que parte expressiva da verba ainda não foi depositada.
A parlamentar também questiona a opacidade na gestão do contrato da Cohapar. Embora o contrato para a construção dos módulos pré-fabricados esteja vigente, não há um cronograma público e claro sobre as etapas de entrega.
“Precisamos de transparência na execução desse contrato da Cohapar. Não há informações claras sobre quando essas 320 unidades serão efetivamente ocupadas pelas famílias”, pontua a deputada.
O posicionamento dos órgãos oficiais
Dados recentes da Cohapar indicam que, além das famílias que optaram pela reforma autônoma, o órgão autorizou a liberação de 50 unidades habitacionais imediatas, com outras frentes de trabalho previstas para serem executadas com recursos repassados diretamente ao município. O Ministério Público agora deve avaliar se os atrasos e as falhas nos pagamentos configuram omissão ou má gestão dos recursos emergenciais destinados à tragédia de Rio Bonito do Iguaçu.
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