CURITIBA | PR – A Copel consolidou uma vitória estratégica para o setor elétrico paranaense ao vencer o 2° Leilão de Reserva de Capacidade na Forma de Potência (LRCAP), realizado pelo governo federal nesta quarta-feira (18). Com o resultado, a companhia ampliará a capacidade produtiva de suas duas principais hidrelétricas, localizadas no Rio Iguaçu, na região Centro-Sul do Estado. O projeto prevê um salto na potência instalada total da empresa de 6,2 gigawatts (GW) para 8,3 GW, representando um incremento de 33% na oferta de energia limpa ao Sistema Interligado Nacional (SIN).

O aporte financeiro para as obras está estimado em R$ 4,9 bilhões, sendo R$ 3,6 bilhões destinados à Usina Segredo e R$ 1,3 bilhão para Foz do Areia. O cronograma prevê o início das intervenções ainda em 2026, com a expectativa de gerar cerca de 2 mil empregos diretos no pico das atividades. Segundo o contrato, as novas unidades geradoras devem entrar em operação comercial até 2030.

“Este é um momento histórico para a Copel e para o Paraná. Vamos retomar os investimentos estratégicos de geração hidrelétrica em nosso Estado com duas grandes obras simultâneas, consolidando o Paraná entre os maiores produtores de energia renovável do Brasil. Essa conquista só foi possível porque a Copel foi transformada em corporação, mantendo as concessões das grandes usinas do Iguaçu”, destaca o presidente da Copel, Daniel Slaviero.

Foz do Areia: a “bateria natural” do sistema ganha reforço

A Usina Governador Bento Munhoz da Rocha Netto, a Foz do Areia, passará dos atuais 1.676 megawatts (MW) para 2.536 MW. A expansão elevará o empreendimento ao posto de 8ª maior hidrelétrica do país. A obra aproveita a visão de longo prazo dos engenheiros da década de 1970, que já haviam deixado dois poços adicionais prontos na casa de força original, o que reduz custos e o tempo de execução para cerca de 40 meses.

Situada rio acima (a montante) das demais plantas da bacia, Foz do Areia funciona como um regulador do fluxo hídrico e uma reserva estratégica de potência. Por possuir grande capacidade de armazenamento, a usina consegue responder rapidamente a picos de demanda nacional, garantindo estabilidade ao sistema elétrico brasileiro.

Segredo: inovação de engenharia para dobrar a potência

A Usina Governador Ney Aminthas de Barros Braga, a Segredo, terá sua capacidade praticamente dobrada, saltando de 1.260 MW para 2.526 MW. O projeto é um marco de sustentabilidade: a ampliação ocorrerá sem a necessidade de alagar novas áreas ou realizar desapropriações. A engenharia da Copel utilizará túneis de desvio escavados na década de 1980, que estavam inutilizados, para levar água do reservatório atual até uma segunda casa de força.

“Vamos dobrar a potência dessa usina com um projeto moderno e com o menor impacto ambiental possível, aproveitando estruturas que já existiam e estavam sem uso desde a obra original. É um legado de sustentabilidade para o Paraná”, ressalta o diretor-geral de Geração e Transmissão da Copel, Rogério Pereira Jorge.

Além da nova casa de força, o projeto em Mangueirinha inclui uma linha de transmissão de 1,5 km e a modernização da Estação Experimental de Estudos Ictiológicos, responsável pela reprodução de peixes nativos do Rio Iguaçu para repovoamento.

Eficiência e estratégia no leilão federal

A participação da Copel no leilão foi viabilizada pela renovação das concessões das usinas por mais 30 anos, ocorrida após a transformação da empresa em corporação. O certame contratou “disponibilidade de potência”, visando assegurar que o país tenha reservas para momentos de pico de consumo ou escassez hídrica. Dos 16 projetos hidrelétricos cadastrados nacionalmente, apenas os cinco mais eficientes foram contratados, incluindo os dois paranaenses.

“A estratégia da Companhia busca equilíbrio entre sustentabilidade, segurança energética e o menor custo para o consumidor. Apostamos na geração hidráulica pelo seu papel fundamental na estabilidade do setor”, afirma o vice-presidente de Estratégia e Novos Negócios, Diogo Mac Cord.

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