Milão, IT – O Brasil conquistou nesta terça-feira (10/3) sua primeira medalha na história dos Jogos Paralímpicos de Inverno. O responsável pelo feito foi o rondoniense Cristian Ribera, que garantiu a medalha de prata na prova de sprint do esqui cross-country, classe sitting (para atletas que competem sentados), durante os Jogos de Milão-Cortina 2026, na Itália.

Até então, o melhor resultado brasileiro na competição havia sido um sexto lugar obtido pelo próprio atleta na edição de 2018, realizada em PyeongChang, na Coreia do Sul.

Na final da prova mais rápida da modalidade, Cristian liderou boa parte do percurso, mas acabou ultrapassado na reta final pelo chinês Zixu Liu, que ficou com o ouro. O bronze foi conquistado pelo cazaque Yerbol Khamitov.

Em entrevista ao SporTV após a disputa, o atleta celebrou o resultado e destacou o trabalho da equipe e o apoio da família.

“Quero só agradecer meu time. A gente sempre trabalhou muito duro. Minha família estava torcendo, fiz isso por eles. Queria o ouro, foi por muito pouco, mérito do chinês. Foi o sprint final do maior evento, todo mundo chega forte. Os esquis estavam bons e foi acirrado. Enfim, sou campeão mundial, do Globo de Cristal e agora é a prata paralímpica. Estou feliz, mais um sonho realizado. Agora a meta é o ouro.”

A conquista também foi celebrada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas redes sociais.

“O Brasil volta a fazer história na neve! Cristian Ribera, integrante do programa Bolsa Atleta, conquistou a medalha de prata no sprint do esqui cross-country, na classe LW11, e garantiu um capítulo histórico para o esporte paralímpico brasileiro nos Jogos de Inverno de Milão-Cortina 2026. Parabéns, Cristian, e a toda a equipe que faz parte dessa conquista incrível. Uma medalha que inspira, abre caminhos e mostra a força do esporte brasileiro.”

Antes da medalha inédita em Milão-Cortina, Cristian já acumulava resultados relevantes no circuito internacional. Em 2025, conquistou o título da temporada da Copa do Mundo de esqui cross-country paralímpico, recebendo o troféu Globo de Cristal.

Com 23 anos, o atleta disputa sua terceira edição dos Jogos Paralímpicos de Inverno. Ele estreou em PyeongChang 2018, aos 15 anos, quando alcançou o sexto lugar na prova de 15 km do esqui cross-country. Em Pequim 2022, teve como melhor resultado a oitava colocação nos 20 km da classe sitting. Nos últimos dois anos, construiu uma sequência de vitórias nas provas de sprint do circuito internacional.

Aline Rocha alcança melhor resultado feminino do Brasil

Outro destaque do dia foi a paranaense Aline Rocha, que terminou em quinto lugar na prova feminina do sprint do esqui cross-country, também na classe sitting. O desempenho representa o melhor resultado já obtido por uma atleta brasileira nos Jogos Paralímpicos de Inverno.

A marca supera o próprio resultado alcançado por ela no primeiro dia de competições em Milão-Cortina, quando terminou na sétima posição na prova de biatlo.

“É uma emoção imensa. Estou muito feliz de chegar pela primeira vez na final da prova de sprint. Eu espero que os resultados que estamos conquistando aqui incentivem mais mulheres a conhecer o esporte. Eu consegui fazer uma ótima classificatória, uma ótima semifinal. Na final, faltou um pouquinho de braço, mas foi um ótimo resultado.”

Esta é a terceira participação de Aline nos Jogos Paralímpicos de Inverno. A atleta competiu anteriormente em PyeongChang 2018 e Pequim 2022. Ela também construiu trajetória inédita ao representar o Brasil no atletismo nos Jogos Paralímpicos de verão Rio 2016 e Paris 2024.

Em 2024, Aline conquistou o título mundial no sprint do esqui cross-country.

Porta-bandeiras do Brasil na abertura dos Jogos

Antes das disputas desta terça-feira (10/3), Cristian Ribera e Aline Rocha já haviam se destacado na cerimônia de abertura dos Jogos Paralímpicos de Milão-Cortina 2026, ao serem escolhidos como porta-bandeiras do Brasil.

A competição começou no dia 6 de março e segue até o dia 15, reunindo 665 atletas de 53 países.

Maior delegação brasileira da história

O Brasil participa da edição de 2026 com a maior delegação de sua história nos Jogos Paralímpicos de Inverno. Ao todo, oito atletas representam o país, todos beneficiários do programa Bolsa Atleta do Governo do Brasil.

Além de Cristian Ribera e Aline Rocha, a equipe brasileira no esqui cross-country conta com os paulistas Wellington da Silva, Elena Regina e Guilherme Cruz Rocha, além do paraibano Robelson Lula. No snowboard, o país é representado pelos gaúchos André Barbieri e Vitória Machado.

Cristian Ribera recebe o benefício do Bolsa Atleta desde 2020 nas categorias Olímpico/Paralímpico e Pódio. Já Aline Rocha é contemplada pelo programa desde 2013, tendo passado pelas categorias Nacional, Pódio e Olímpico/Paralímpico.

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