CURITIBA | PR – O Março Amarelo, período dedicado à conscientização sobre a endometriose, ganha destaque no Paraná com o reforço das diretrizes de atendimento pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa). Estima-se que a condição afete uma a cada 10 mulheres no Brasil, representando uma barreira que impacta diretamente a vida profissional, pessoal e a saúde reprodutiva.

No estado, a assistência segue o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) do Ministério da Saúde, garantindo que a paciente tenha acesso a um fluxo determinado em todas as etapas da Rede de Atenção à Saúde. A porta de entrada para o tratamento é a Unidade Básica de Saúde (UBS), onde o médico ginecologista avalia a necessidade de tratamento clínico, cirúrgico ou misto.

A normalização da dor e o desafio do diagnóstico

A endometriose ocorre quando o tecido que reveste o útero cresce fora dele, atingindo outros órgãos. O principal sinal de alerta é a dor — muitas vezes incapacitante — manifestada através de cólicas intensas, dor pélvica crônica e desconforto nas relações sexuais. Contudo, a detecção da doença ainda enfrenta o obstáculo cultural da normalização da dor menstrual.

O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, reforça que o sofrimento severo não deve ser ignorado.

“A endometriose representa uma barreira diária que afeta a vida de muitas mulheres. Sentir dor incapacitante não é normal, então alertamos que é possível buscar atendimento especializado na saúde pública”, destacou o secretário.

Relatos de quem convive com a doença

A demora no diagnóstico é uma queixa comum entre as pacientes. Angélica Lopez Pereira, de 34 anos, moradora de Apucarana, relata que passou anos ouvindo que suas dores eram apenas “relação com o ciclo menstrual” até ser hospitalizada e finalmente operada no Hospital São Rafael, em Rolândia.

Histórias como as de Maria Eduarda Cândido e Mariana Fernanda Balbino reforçam como a doença atrapalha a vida social e o trabalho, além de ser uma das principais causas de infertilidade. Já a professora Rubya Tomassoni, de Toledo, destaca a importância do suporte medicamentoso oferecido pelo SUS após múltiplas cirurgias. “Recebo o medicamento pelo SUS e estou confiante de que vai ajudar na redução do endométrio”, afirmou.

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