Missal, PR – Em uma área de 206 hectares no município de Missal, no Oeste do Paraná, 36 famílias Avá-guarani vivem atualmente em um território adquirido pela Itaipu Binacional como parte das ações de reparação a comunidades indígenas afetadas pela construção da usina hidrelétrica. A transferência das famílias ocorreu no final de 2025, após deixarem uma área localizada na Faixa de Proteção do Reservatório, no município de Santa Helena (PR).

A nova comunidade recebeu o nome de Tekoha Ara Poty Mirim. No local, as famílias passaram a ocupar moradias construídas pela Itaipu e participam de um processo de organização para ampliar a infraestrutura básica da aldeia.

Para definir as próximas etapas de atendimento à comunidade, representantes da Itaipu reuniram-se com a Prefeitura de Missal e realizaram visitas à aldeia e à Escola Municipal Epitácio Pessoa, localizada na Linha Jacutinga, área rural do município. A unidade escolar passou a receber crianças indígenas em suas salas de aula.

O diretor jurídico da Itaipu Binacional, Luiz Fernando Delazari, afirmou que a iniciativa faz parte de um processo de reparação histórica.

“Este é um momento histórico em que a Itaipu faz justiça em relação à dívida que tem com os povos originários da região Oeste e a atual gestão tem um compromisso de fazer a devida reparação.”

Segundo o gestor da Itaipu responsável pelas iniciativas voltadas às comunidades indígenas, Paulo Porto, o acesso à terra é um dos direitos fundamentais dessas populações.

“O direito à terra é o primeiro. Na sequência, vem o direito à alimentação de qualidade, à moradia, a benfeitorias e ao fortalecimento cultural.”

A administração municipal informou que os serviços de assistência social já foram colocados à disposição da comunidade. O prefeito de Missal, Adilto Luis Ferrari, destacou a importância da cooperação institucional no processo de atendimento às famílias indígenas.

“É muito importante esta parceria com a Itaipu para o atendimento às necessidades da comunidade. A gente espera que ela se torne um exemplo para outros municípios.”

Infraestrutura e organização comunitária

Entre as próximas melhorias previstas para a aldeia estão a implantação de rede de água, energia elétrica e sistema de esgoto. A definição dessas etapas está sendo discutida entre Itaipu, a prefeitura e os representantes da comunidade.

O líder da Tekoha Ara Poty Mirim, Lino César Cunumi Pereira, afirmou que as famílias acompanham com expectativa o desenvolvimento da nova aldeia.

“Daqui pra frente vai melhorar muito.”

Integração na escola rural

A Escola Municipal Epitácio Pessoa, próxima à aldeia, passou a integrar estudantes indígenas e não indígenas nas mesmas turmas. De acordo com o diretor da escola, Volmir Spanholi, a adaptação ocorreu sem dificuldades.

“A nossa comunidade já tinha uma característica semelhante ao povo indígena, de famílias da pequena agricultura e assentamentos. Então, o povo indígena só veio a somar.”

Para o professor de história Paulo Roberto Sbabo, a convivência escolar também representa uma oportunidade de troca cultural entre os estudantes.

“Eu vejo que é uma valorização das culturas tradicionais, do modo de vida deles, que têm muito a ensinar. Nos ajuda a compreender a forma como a gente age no mundo, na natureza e em relação ao outro.”

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