Cascavel, PR – Diretores da Itaipu Binacional e do Itaipu Parquetec participaram, nesta terça-feira (10), de painéis no auditório do Espaço Impulso durante o Show Rural Coopavel 2026. Segundo dados apresentados no evento, mais de nove mil pescadores artesanais e 2.700 famílias da agricultura familiar foram beneficiados por programas estruturados pela binacional no Paraná e no sul do Mato Grosso do Sul.
A programação do segundo dia da feira reuniu especialistas, gestores e produtores para a apresentação de resultados e experiências relacionadas a investimentos em energias renováveis, assistência técnica e fortalecimento da cadeia produtiva rural. O Espaço Impulso é uma iniciativa do Itaipu Parquetec em parceria com a Cooperativa Agroindustrial de Cascavel.
O primeiro painel, “Como lucrar com o vento e os resíduos da sua fazenda”, contou com a participação do diretor financeiro executivo da Itaipu, André Pepitone; da diretora técnica do Centro Internacional de Energias Renováveis(CIBiogás), Daiana Martinez; e do CEO da startup IMAE, Alessandro Lomônaco. A discussão abordou a evolução da geração distribuída no Brasil e alternativas de aplicação de fontes renováveis no meio rural.
Pepitone destacou que uma resolução da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), publicada em 2012 após consultas públicas nacionais, permitiu que consumidores passassem a gerar a própria energia e compensar o excedente na rede elétrica.
“Aquele consumidor que só consumia, hoje pode gerar a sua própria energia. Esse consumidor passa a se chamar prosumidor”, afirmou.
Segundo o diretor, produtores podem adotar diferentes tecnologias conforme as características da propriedade, incluindo painéis solares, biodigestores para criação de suínos, sistemas microeólicos e pequenas turbinas hidráulicas.
“Isso depende muito da situação e da necessidade de cada um, mas o que tem que ficar claro é que é possível. É só identificar qual é a melhor tecnologia e o melhor meio para implementá-la”, declarou.
Alessandro Lomônaco ressaltou o papel das soluções híbridas na transição energética.
“Não podemos ficar presos a uma fonte. Temos que começar a pensar daqui para a frente em soluções híbridas, que podem ser biomassa com eólica, eólica com solar ou hidrelétrica com solar”, explicou.
O segundo painel, “Histórias que alimentam o futuro: o impacto dos investimentos da Itaipu Binacional na vida de quem produz”, reuniu o diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni; o diretor-superintendente do Itaipu Parquetec, Irineu Colombo; o sócio fundador da Cooperativa de Produção Agropecuária Vitória (Copavi), Jacques Pelenz; além de técnicos da binacional.
Carboni afirmou que os programas desenvolvidos atuam em toda a cadeia produtiva, da produção primária à industrialização e comercialização. O diretor também mencionou ações voltadas à sucessão geracional entre pescadores do lago de Itaipu.
“Não se trata apenas de recurso financeiro. Junto com ele vêm diretrizes, assistência técnica e acompanhamento contínuo. Técnicos da Itaipu estão no campo, visitam as propriedades e orientam os agricultores no desenvolvimento da atividade. São ações que impactam diretamente a qualidade de vida, garantem renda e fazem diferença real no dia a dia de quem produz”, declarou.
Irineu Colombo destacou a atuação baseada em fundamentos científicos e na construção de parcerias institucionais. “A Itaipu trabalha olhando para a ciência e cria parte do financiamento”, afirmou. Ele acrescentou que a inovação dos programas envolve métodos e processos que permitem o desenvolvimento gradual das capacidades dos beneficiários.
Entre os resultados apresentados, a Copavi, que completa 33 anos, relatou avanços na produção e gestão após receber assistência técnica. A cooperativa reúne 256 hectares certificados como orgânicos e atua na produção de cachaça artesanal, açúcar mascavo e derivados de leite.
“Sem esse olhar da assistência técnica, tanto na parte da produção, quanto na parte da gestão financeira, da gestão estratégica e das linhas de produção, nós não teríamos o sucesso que a gente tem hoje”, afirmou Jacques Pelenz.
O engenheiro de pesca Rinaldo Ribeiro, da Divisão de Reservatório da Itaipu, informou que a ampliação da área de atuação da empresa para todo o Paraná e sul do Mato Grosso do Sul exigiu diagnóstico detalhado dos públicos atendidos.
“Antes trabalhávamos com 13 entidades de pescadores. Hoje, temos condições de atuar com 68 entidades, alcançando mais de nove mil pescadores artesanais”, declarou.
Segundo Ribeiro, foram estruturadas plataformas digitais com painéis interativos e bases de dados territorializadas para subsidiar a tomada de decisão e integrar diagnóstico, planejamento e execução dos projetos.
No segmento da agricultura familiar, o gestor do Programa Semeando Gestão, Carlos Henrique da Silva Gonçalves, apresentou números que indicam a superação das metas iniciais. Mais de 2.700 famílias recebem assistência técnica individualizada, com centenas de propriedades orgânicas certificadas e atuação em mais de uma centena de municípios paranaenses. De acordo com o gestor, o programa acompanha as propriedades desde o diagnóstico inicial até o monitoramento contínuo, com foco em práticas agroecológicas e acesso a mercados institucionais.
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