Foz do Iguaçu, PR – A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta terça-feira (20), a Operação Saleiro com o objetivo de desarticular um grupo criminoso envolvido em crimes ambientais, tráfico de drogas e comércio ilegal de armas na região de fronteira entre o oeste do Paraná e Santa Catarina. A ação ocorreu nos municípios de Dionísio Cerqueira (SC), Barracão (PR) e Céu Azul (PR), com apoio de informações produzidas a partir de investigações conduzidas em Foz do Iguaçu (PR).

Foram cumpridos cinco mandados de busca e apreensão, expedidos pela 5ª Vara Federal de Foz do Iguaçu, em endereços residenciais de investigados identificados ao longo das apurações. O material recolhido será submetido à análise pericial e técnica para aprofundar as provas já reunidas e identificar a extensão das atividades criminosas.

As investigações tiveram início em julho de 2024, após a prisão em flagrante de um indivíduo por equipes do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Polícia Federal, no interior do Parque Nacional do Iguaçu. Na ocasião, o suspeito foi encontrado portando alimentos utilizados para atrair animais silvestres para o abate em um local conhecido como “saleiro”.

A partir da análise de dados telemáticos e do aprofundamento das diligências, a Polícia Federal constatou que a atuação do grupo não se limitava à caça ilegal. As evidências apontam para a prática sistemática de crimes contra a fauna, incluindo o abate de animais silvestres como catetos e cutias dentro da unidade de conservação federal, além da promoção de rinhas de galo e da criação e treinamento de aves destinadas a combates com apostas, inclusive com indícios de conexões internacionais.

Além dos delitos ambientais, a investigação identificou o envolvimento dos suspeitos no tráfico de drogas, com negociações relacionadas à venda e ao transporte de maconha, e no comércio ilegal e posse de armas de fogo. Entre os armamentos estariam espingardas, rifles e pistolas, utilizados tanto para a caça ilegal quanto para a proteção das atividades ilícitas.

Os investigados poderão responder por diversos crimes, cujas penas, somadas, podem atingir patamares elevados. A caça ilegal agravada por ocorrer em unidade de conservação prevê detenção e multa, conforme a Lei de Crimes Ambientais, assim como os crimes de maus-tratos a animais. As infrações previstas no Estatuto do Desarmamento, como o comércio ilegal de armas de fogo, podem resultar em penas de reclusão de até 12 anos, enquanto o tráfico de drogas, conforme a Lei Antidrogas, prevê reclusão de cinco a 15 anos. Também é apurada a associação criminosa para a prática desses delitos, o que pode gerar penas adicionais aos envolvidos.

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