Curitiba–PR – O Governo do Paraná divulgou a relação final das Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) selecionadas no projeto-piloto de créditos de biodiversidade, iniciativa inédita no país que cria um mecanismo financeiro para incentivar a conservação ambiental. Ao todo, sete áreas naturais foram classificadas no edital, que prevê a comercialização de até R$ 2 milhões em créditos ambientais com o Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE).
A seleção foi realizada pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento Sustentável (Sedest), em parceria com o BRDE, e integra a Política Estadual de Créditos de Biodiversidade, lançada em julho de 2025. Os espaços escolhidos agora avançam para a etapa de geração dos créditos, que serão adquiridos pelo banco a valores previamente definidos.
As áreas classificadas são: Bellatrix, Vilar, Antenor Rival Crema, Reserva Natural do Alpinista Waldemar Niclevicz, Fazenda Paiquerê, Itáytyba e Alegrete. Todas passaram por avaliação técnica que considerou critérios ambientais, territoriais e de gestão, como a presença de áreas prioritárias para conservação, plano de manejo e atividades econômicas compatíveis com a preservação.
Os créditos de biodiversidade funcionam como certificados que representam ganhos líquidos na conservação e restauração ambiental. Na prática, eles reconhecem financeiramente projetos que protegem ou ampliam áreas naturais, valorizando serviços ecossistêmicos e estimulando a preservação voluntária em propriedades privadas.
As RPPNs selecionadas passarão por diagnóstico ambiental e elaboração de um plano de ação, que será avaliado por entidade independente. A partir dessa análise, os créditos serão certificados e comercializados com o BRDE. O pagamento ocorre em duas etapas: uma após a certificação inicial e outra ao final do segundo ano, condicionada ao cumprimento integral dos compromissos ambientais.
Cada crédito terá valor inicial de R$ 25 no primeiro ano. Se as metas forem cumpridas integralmente, o valor sobe para R$ 37,50 no segundo ano. O limite financeiro por propriedade é de até R$ 40 mil no primeiro ciclo, podendo alcançar R$ 60 mil no segundo, com teto anual de 1,6 mil créditos por RPPN.
A política foi instituída pela Resolução Sedest nº 53, de 21 de outubro de 2024, e posiciona o Paraná como o primeiro governo subnacional do mundo a criar uma política pública estruturada de créditos de biodiversidade.
A coordenadora de Patrimônio Natural e Educação Ambiental da Sedest, Nara Lucia da Silva, destaca o caráter inovador da iniciativa.
“Os créditos de biodiversidade surgem como uma solução inovadora e essencial para o enfrentamento dos desafios ambientais globais. Com essa política, incentivamos ações que protegem os ecossistemas e, ao mesmo tempo, geram renda para quem promove benefícios ambientais, sociais e econômicos”, afirma.
Segundo a coordenadora, as inscrições foram analisadas por um comitê técnico específico, responsável por verificar o atendimento aos critérios de elegibilidade definidos pela política estadual.
“Foi a partir desse processo técnico que selecionamos e classificamos sete RPPNs. Os próximos passos envolvem a formalização dos termos de compromisso e o início da implementação efetiva da política”, explica Nara.
A Política Estadual de Créditos de Biodiversidade busca ampliar as fontes de financiamento para a conservação ambiental no Paraná e já desperta interesse de instituições e governos internacionais como modelo replicável de incentivo à preservação da natureza.
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