Brasília–DF. Três anos após ser recriado e ampliado pelo Governo Federal, o programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) voltou a ocupar um lugar central na política pública brasileira ao recolocar a moradia digna como direito social prioritário. Entre 2023 e 2025, a política habitacional passou por uma reestruturação profunda, com ampliação de faixas de renda, criação de novas linhas de crédito e retomada de obras paralisadas, alcançando famílias de Norte a Sul do país e consolidando-se como o maior programa habitacional da história recente.
No período, quase 2 milhões de moradias foram financiadas, com presença em mais de quatro mil municípios brasileiros. A meta inicial de 2 milhões de contratações foi revista, e o governo projeta alcançar 3 milhões de moradias contratadas até o final de 2026, ampliando o impacto social, econômico e territorial da política.
O redesenho do programa buscou responder a um cenário de forte déficit habitacional, agravado nos anos anteriores, especialmente entre famílias de baixa renda, trabalhadores informais e moradores de áreas periféricas e interioranas. Ao mesmo tempo, incorporou uma inovação inédita ao atender também a classe média, historicamente excluída dos subsídios habitacionais.
“As coisas acontecem nesse país quando você tem um governo que tem vontade de ouvir e, ao ouvir, tem vontade de fazer as coisas andarem para frente. A necessidade é continuar fazendo política de inclusão social, para que as pessoas subam um degrau a mais na escala social.”
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República

Ampliação das faixas e nova política de crédito
Entre 2023 e 2025, o Minha Casa, Minha Vida passou a operar de forma integrada em quatro faixas de renda. A Faixa 1, voltada às famílias com renda mensal de até R$ 2.850, manteve subsídios que podem chegar a 95% do valor do imóvel. A Faixa 2 atende rendas de R$ 2.850,01 a R$ 4.700, enquanto a Faixa 3 contempla famílias com renda entre R$ 4.700,01 e R$ 8.600.
A principal inovação do período foi a criação da Faixa Classe Média, destinada a famílias com renda mensal entre R$ 8.600,01 e R$ 12 mil. A medida respondeu à pressão do mercado imobiliário convencional, às altas taxas de juros e à dificuldade de acesso ao crédito enfrentada por profissionais como professores, técnicos, enfermeiros e pequenos empreendedores.
Além disso, o Governo Federal anunciou mudanças no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), ampliando o crédito imobiliário para famílias com renda de até R$ 20 mil. A iniciativa modernizou o sistema de financiamento habitacional e fortaleceu a cadeia da construção civil, com impacto direto na geração de empregos.
Contratações, retomadas e entregas
De janeiro de 2023 até meados de dezembro de 2025, o programa financiou 1,63 milhão de moradias por meio do FGTS, com investimentos superiores a R$ 259 bilhões. Essas contratações alcançaram 4.178 municípios brasileiros.
Já nas linhas subsidiadas com recursos do Orçamento Geral da União (OGU), foram contratadas 238,7 mil moradias em 3.848 empreendimentos, somando R$ 31,7 bilhões. Somente em 2024 e 2025, mais de 238 mil unidades dessa modalidade foram contratadas.
Outro eixo fundamental foi a retomada de obras paralisadas. Desde o lançamento do Novo PAC, 136 mil moradias em 2.442 empreendimentos tiveram obras reativadas. Desse total, quase 48 mil unidades já foram concluídas, garantindo moradia a famílias que aguardavam há anos pela entrega.
“Com o Minha Casa, Minha Vida, estamos enfrentando o déficit habitacional e trabalhando para que cada vez mais famílias brasileiras possam morar em condições dignas. Ampliamos o programa e criamos novas faixas porque não deixamos ninguém para trás.”
Jader Filho, ministro das Cidades

Impacto regional e nacionalização do direito à moradia
A atuação do programa refletiu as diferentes realidades regionais do país. No Nordeste, foram contratadas cerca de 491 mil moradias entre 2023 e 2025, reforçando o combate ao déficit histórico da região. No Sudeste, onde a pressão imobiliária é intensa, o programa registrou 845 mil contratações, conciliando habitação popular e classe média.
No Sul, 343 mil famílias foram contempladas, enquanto o Centro-Oeste contabilizou 236 mil novas moradias, acompanhando o crescimento populacional da região. No Norte, 67 mil unidades foram contratadas, muitas delas em municípios com dificuldades logísticas e acesso limitado a políticas públicas.
Habitação como cidadania
Além da construção de moradias, o Minha Casa, Minha Vida passou a priorizar projetos com infraestrutura urbana completa, incluindo pavimentação, saneamento, energia elétrica, iluminação pública e, sempre que possível, acesso a equipamentos comunitários como creches, unidades de saúde e áreas de convivência.
A trajetória da diarista Ceildes Rodrigues da Silva, de 46 anos, sintetiza o impacto social do programa. Após migrar do Acre para Goiás em busca de tratamento médico para o filho, ela viveu períodos de extrema vulnerabilidade, inclusive em casas de apoio. Sem perspectiva de adquirir um imóvel, encontrou no Minha Casa, Minha Vida a possibilidade de reconstrução.
“A casa própria era um sonho que eu já havia abandonado. Agora voltei a viver, a sorrir e a sonhar novamente. Hoje choro não mais de tristeza, mas de felicidade.”
Três anos, um novo ciclo
Ao completar três anos nesta nova fase, o Minha Casa, Minha Vida consolidou-se como eixo estruturante do desenvolvimento social brasileiro. Com investimentos públicos superiores a R$ 300 bilhões desde 2023, o programa impulsionou o setor da construção civil, respondeu ao déficit habitacional e devolveu dignidade a milhões de famílias.
Mais do que números, a política habitacional se traduz em pertencimento, estabilidade e futuro. Ao garantir um endereço fixo, o programa reafirma um pacto básico entre Estado e sociedade: moradia não é privilégio, é direito.
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