Foz do Iguaçu, PR – Na madrugada desta quarta-feira (7), o Hospital Municipal Padre Germano Lauck (HMPGL), em Foz do Iguaçu, realizou a primeira captação de órgãos de 2026, um marco para a instituição e para o sistema de transplantes do Paraná.
A doadora, identificada pelas iniciais R. Y., de 59 anos, faleceu em decorrência de um acidente vascular cerebral (AVC). A captação foi realizada pela equipe da UOPECAN, composta pelo médico cirurgião Matheus Takahashi e pelo enfermeiro instrumentador Antoninho Pereira, integrantes das Organizações de Procura de Órgãos (OPOs) de Cascavel.
Os órgãos captados foram destinados a pacientes em Brasília, Curitiba e Minas Gerais, evidenciando o alcance nacional e o impacto transformador do gesto de solidariedade da família doadora.
Gesto de amor que salva vidas
A enfermeira Marta Pereira, responsável pela Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT) no HMPGL e gerente das UTIs 1 e 3, destacou a importância do ato: “É com profundo respeito e admiração que testemunhamos o gesto altruísta desta família. Transformar a dor em esperança é um ato de amor que impacta inúmeras vidas.”
A diretora assistencial do hospital, Iélita Santos, também ressaltou o significado da doação: “A captação de órgãos é um ato de altruísmo que salva vidas e transforma realidades. Somos gratos a todas as famílias que, mesmo em momentos de dor, conseguem olhar para o outro e fazer a diferença.”
Já o diretor-geral do Hospital Municipal Padre Germano Lauck, Áureo Ferreira, enfatizou o compromisso da instituição com a vida e a humanização do cuidado: “Essa primeira captação de órgãos de 2026 simboliza o trabalho sério, ético e humanizado realizado por nossas equipes. Mais do que um procedimento técnico, é um gesto que une ciência, solidariedade e respeito às famílias. Cada doação representa esperança concreta para quem aguarda uma nova chance de viver.”
Paraná é referência nacional em transplantes
O Paraná segue como referência nacional em captação e transplante de órgãos. Até novembro de 2025, o estado realizou 1.715 transplantes, com 425 doações efetivas, possibilitando não apenas cirurgias locais, mas também o envio de órgãos para outros estados.
Com uma única doação, é possível captar até oito órgãos e tecidos, como pele, ossos e córneas, ampliando significativamente as chances de salvar e melhorar vidas. O Sistema Estadual de Transplantes do Paraná (SET/PR) é coordenado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) e estruturado em quatro unidades regionais, por meio das OPOs sediadas em Londrina, Maringá, Cascavel e Curitiba, que atuam de forma integrada em 70 hospitais habilitados no estado.
Autorização familiar e abordagem humanizada
A captação de órgãos ocorre somente após a autorização da família, em um processo que envolve acolhimento e entrevistas conduzidas por profissionais altamente capacitados. Mesmo quando o desejo do doador é manifestado em vida, a decisão final cabe aos familiares.
No Paraná, a abordagem profissional e humanizada tem apresentado resultados expressivos. Em 2024, o estado registrou a menor taxa de recusa familiar do país, com apenas 28%, frente à média nacional de 46%. Em 2025, o Paraná manteve o índice entre os mais baixos, ao lado de Santa Catarina, com 30%, enquanto a média nacional permaneceu em 45%.
Esse marco reforça não apenas a generosidade das famílias doadoras, mas também o papel essencial das equipes de saúde envolvidas no processo. Com eficiência, ética e sensibilidade, o Paraná continua a liderar pelo exemplo, transformando cada doação em esperança, solidariedade e novas oportunidades de vida.