Foz do Iguaçu–PR recebe, no próximo sábado (20), a LXVII Cúpula de Chefes de Estado do MERCOSUL e Estados Associados. O encontro encerra a presidência pro tempore brasileira do bloco e contará com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Durante o período em que esteve à frente do MERCOSUL, o Brasil priorizou o fortalecimento do comércio intrarregional, a atualização da agenda ambiental, o estímulo ao desenvolvimento tecnológico e a ampliação da dimensão social da integração regional.
Segundo a secretária de América Latina e Caribe do Ministério das Relações Exteriores, embaixadora Gisela Padovan, o comércio entre os países do bloco foi tratado como eixo central da presidência brasileira. “Cerca de 75% do comércio intrabloco é composto por produtos de maior valor agregado, o que impacta diretamente na geração de emprego e renda. O objetivo do Brasil foi fortalecer a coesão e o funcionamento do mercado comum”, afirmou em conversa com jornalistas nesta segunda-feira (15).
Prioridades da presidência brasileira
A atuação brasileira foi organizada em cinco frentes principais: fortalecimento do comércio intrabloco e com parceiros externos; enfrentamento da mudança do clima e promoção da transição energética; desenvolvimento tecnológico; combate ao crime organizado transnacional; e ampliação dos direitos dos cidadãos do MERCOSUL.
No campo econômico, o Brasil defendeu a ampliação do comércio regional e a inclusão de setores considerados estratégicos. “Uma das prioridades foi reforçar o comércio intrabloco. Também defendemos pontos específicos, como os setores automotivo e açucareiro”, destacou Padovan.
Redução de assimetrias
Outro tema tratado foi a renovação do Fundo para a Convergência Estrutural do MERCOSUL (FOCEM), criado para reduzir desigualdades entre os países-membros. Desde sua criação, o fundo financiou mais de 60 projetos estruturantes, com desembolsos que somam cerca de US$ 1 bilhão.
“Começamos a discutir a renovação do FOCEM e a manutenção, no mínimo, do atual nível de investimentos. O Brasil é o principal contribuinte e trabalha para viabilizar um novo aporte, incluindo a Bolívia”, explicou a embaixadora.
Iniciativas e agenda ambiental
A presidência brasileira também promoveu iniciativas como o primeiro Fórum Empresarial Agrícola do MERCOSUL, reunindo confederações e representantes do setor produtivo. “Apesar da relevância do setor agrícola para os países do bloco, não havia um espaço institucional específico para esse diálogo”, observou Padovan.
No campo ambiental, foi lançada a agenda MERCOSUL Verde, voltada à promoção de práticas agropecuárias sustentáveis e à projeção internacional da produção regional. Segundo a embaixadora, a iniciativa busca evitar o uso de critérios ambientais como barreiras comerciais.
Também houve avanços na criação de um grupo dedicado à inserção de micro, pequenas e médias empresas no comércio regional, com atenção especial a empreendimentos liderados por mulheres.
Dimensão social
A ampliação da dimensão social da integração foi tratada como prioridade transversal. “A integração regional também envolve direitos concretos para os cidadãos dos países-membros”, afirmou Padovan.
Nesse contexto, o Brasil apoiou o processo de incorporação normativa da Bolívia como Estado-parte do MERCOSUL, que envolve a internalização de mais de 3 mil normativas e cerca de 120 acordos. O país também atuou para fortalecer instituições vinculadas ao bloco, como o Instituto de Políticas Públicas em Direitos Humanos (IPPDH) e o Instituto Social do MERCOSUL, além de incentivar a retomada da Cúpula Social.
Balança comercial
De janeiro a novembro de 2025, o intercâmbio comercial do Brasil com os países do MERCOSUL somou US$ 40,7 bilhões. As exportações brasileiras alcançaram US$ 23,8 bilhões, enquanto as importações totalizaram US$ 16,9 bilhões, resultando em superávit de US$ 6,9 bilhões. A pauta brasileira é composta principalmente por veículos, produtos da indústria de transformação e minério de ferro.