Foz do Iguaçu–PR – Profissionais da rede municipal de educação seguem mobilizados e aguardam posicionamento da Prefeitura e da Secretaria Municipal de Educação (SMED) sobre a Normativa de Distribuição de Turmas – 2026. Na manhã desta segunda-feira (15), o Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal de Foz do Iguaçu (Sinprefi) protocolou uma contraproposta ao documento, aprovada em assembleia realizada na última sexta-feira (12), na Escola Municipal Parigot de Souza.

Conforme o sindicato, caso a SMED não aceite a nova minuta, a categoria deverá retomar a mobilização em assembleia já pré-convocada para quarta-feira (17), às 12h, em frente à Prefeitura, para definir os próximos encaminhamentos do movimento. Participaram da assembleia os vereadores Adnan El Sayed, Yasmin Hachem e Valentina Virginio, integrantes da Comissão de Educação da Câmara.

A Normativa de Distribuição de Turmas define critérios para a organização das turmas em escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs). O tema gerou protestos na semana passada após a divulgação de mudanças que, segundo professores do Ensino Fundamental, reduzem o número de horas-aula em disciplinas consideradas centrais para o aprendizado, como Língua Portuguesa, Geografia e Ciências.

O Sinprefi também defende que as regras de distribuição de turmas deixem de ser definidas apenas por normativa anual e passem a ser estabelecidas por lei municipal, com critérios considerados mais previsíveis e justos pela categoria.

Mudanças na matriz curricular e críticas à falta de diálogo

Segundo o sindicato, a redução de aulas em disciplinas básicas ocorreu para viabilizar a inclusão de Língua Inglesa e Robótica. O secretário-geral do Sinprefi, Lucas Fávero, afirmou que a entidade não se opõe aos novos conteúdos, mas critica a forma como a mudança foi conduzida. “Não somos contra o ensino de Inglês e de Robótica, pelo contrário”, disse. Entre as alternativas apontadas pelo sindicato está a possibilidade de implementação em aulas no contraturno, de modo a não reduzir as disciplinas da matriz principal.

Outro ponto de contestação citado pelo Sinprefi é o acordo de metas vinculado ao Prêmio do Ideb. A presidente do sindicato, Viviane Dotto, afirmou que a categoria questiona as condições impostas e a ausência de pactuação com as unidades escolares. Para o sindicato, metas descoladas das realidades sociais de cada escola tendem a ser inalcançáveis em parte da rede. A entidade reafirma posição contrária ao modelo de prêmio e defende a valorização profissional por meio de reajustes incorporados à carreira.

Reajuste para merendeiros e reunião com o Executivo

Apesar das divergências em torno da normativa e da matriz curricular, a assembleia de sexta-feira (12) também registrou um avanço nas negociações: a categoria aprovou proposta do Executivo que prevê o acréscimo de cinco referências na carreira para o cargo de merendeiro(a) escolar, medida que representa reajuste salarial vinculado à progressão.

Na última quarta-feira (10), professores e profissionais da educação realizaram um ato em frente à Prefeitura em busca de diálogo, com apoio do Sinprefi. Após a mobilização, o prefeito Silva e Luna e o secretário de Gabinete, Eduardo Garrido, receberam uma comissão com representantes do sindicato, vereadores, membros do Conselho Municipal de Educação e profissionais da rede.

Segundo o sindicato, durante a reunião o prefeito se comprometeu a suspender a normativa e analisar os argumentos apresentados. No mesmo dia, o Conselho Municipal de Educação reprovou a tramitação em regime de urgência da pauta relacionada à alteração na matriz curricular.