Foz do Iguaçu, PR – Um projeto inovador aproximou a ciência climática do cotidiano de cerca de 300 estudantes de 10 escolas públicas de Foz do Iguaçu (PR) e Belém (PA). Utilizando pluviômetros caseiros, eles aprenderam a registrar dados reais sobre períodos de chuva e estiagem, produzindo inclusive seus próprios boletins meteorológicos, divulgados por meio de podcasts. A iniciativa integra o projeto Ciência do Clima Lá em Casa, parceria entre a Itaipu Binacional, Itaipu Parquetec e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Desenvolvido ao longo de 2025, o projeto teve sua atividade de encerramento nesta quinta-feira (4), no auditório do Centro de Recepção de Visitantes (CRV) da Itaipu.
Para muitos jovens, a experiência foi transformadora. Isabelle Rodrigues Pinheiro, 15 anos, aluna da Escola Estadual Pioneiros, em Foz do Iguaçu, contou que o projeto mudou completamente sua percepção sobre o tema. “Antes, eu via a questão climática apenas nos noticiários, como algo distante. Mas aprendi como a educação ambiental pode transformar vidas e como influenciamos o ambiente e o clima”, relatou. “Passei a observar muito mais o clima e a perceber o quanto ele está alterado. É um problema presente.”
A iniciativa envolveu ainda dez professores das escolas participantes, estruturada em três eixos: formação docente, trilha gamificada e intercâmbio científico. O projeto contou também com apoio institucional do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Foz do Iguaçu e da Secretaria de Estado da Educação do Paraná (Seed-PR).
Para a professora de Biologia Raimunda Alberta Castro dos Prazeres, da Escola Estadual Cidade de Emaús, em Belém, a proposta fortaleceu o vínculo pedagógico com os estudantes. “Foi decisivo para o meu trabalho. Aproximou muito a escola da realidade dos alunos e deu a eles a oportunidade de levar a ciência para dentro de casa. A educação precisa ser construída junto com a família”, destacou.
A metodologia adotada baseou-se nos “Seis Chapéus do Pensamento”, técnica que organiza a discussão em grupo a partir de seis modos diferentes de pensar: fatos, emoções, críticas, otimismo, criatividade e controle. Essa abordagem orientou a trilha gamificada de conteúdos relacionados às temáticas debatidas na COP30.
Segundo o pesquisador Paulo Nobre, do Inpe, referência nacional em ciência climática, o projeto cumpre um papel essencial. “A questão central do Ciência do Clima Lá em Casa é empoderar jovens diante de temas que circulam muito nas mídias, mas sobre os quais eles acabam se sentindo vulneráveis. O projeto leva compreensão sobre as mudanças climáticas para aqueles que serão nossos futuros adultos, prefeitos, empresários, professores.”
O diretor de Coordenação da Itaipu, Carlos Carboni, ressaltou que a iniciativa conecta educação e sustentabilidade ao explicar temas essenciais como ciclo da água, relação entre florestas, energia e produção de alimentos. “São assuntos fundamentais para a Itaipu e para o Brasil, e que estiveram em evidência na COP30”, afirmou. Para o diretor-superintendente do Itaipu Parquetec, Irineu Colombo, a ação representa “mais um legado da COP30” para a região.
Lançamento da cartilha
Durante o evento, foi lançada oficialmente a cartilha “Ciência do Clima Lá em Casa: Mudanças Climáticas”, que reúne conteúdos produzidos com base no conhecimento técnico das instituições envolvidas. O material consolida as aprendizagens do projeto e amplia o acesso do público a informações qualificadas sobre o tema.
Com 25 páginas, a cartilha apresenta conteúdos sobre efeito estufa, aquecimento global, combustíveis fósseis e comportamento das temperaturas globais. A versão digital pode ser acessada gratuitamente no portal da iniciativa.