Foz do Iguaçu, PR – Após um ano marcado por intensa mobilização territorial, mais de 1.200 integrantes dos Núcleos de Cooperação Socioambiental se reuniram em Foz do Iguaçu (PR), no dia 27 de novembro, para o Encontro de Integração que marcou o encerramento das atividades de 2025. O evento reuniu representantes de instituições de todas as regiões do Paraná e do sul do Mato Grosso do Sul.

Ao longo de 2025, os Núcleos, por meio da Itaipu Binacional e do Itaipu Parquetec, promoveram cerca de 200 ações virtuais e presenciais, em mais de 70 cidades, envolvendo quase 20 mil participantes em um território de 434 municípios. Entre os destaques do ano estão:

Estratégia territorial e participação social

O Encontro contou com a presença do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos; do diretor-geral brasileiro da Itaipu, Enio Verri; do diretor de Coordenação, Carlos Carboni; do diretor de Educação Ambiental e Cidadania do Ministério do Meio Ambiente, Marcos Sorrentino; do diretor-superintendente do Itaipu Parquetec, Irineu Colombo; e do diretor Administrativo da Itaipu, Iggor Gomes Rocha.

Durante sua fala, Enio Verri destacou a importância de fortalecer a participação da sociedade civil na definição de investimentos públicos: “Foi uma honra receber, na casa de Itaipu, pessoas que se preocupam tanto com o futuro do nosso Brasil. Antigamente, colocávamos as decisões nas mãos de políticos e outras autoridades. Isso nunca deu certo. Por isso, decidimos fazer o contrário e colocar as decisões nas mãos de quem vive o território.”

Irineu Colombo reforçou a transformação do papel da Itaipu Binacional, agora alinhada às políticas públicas do governo federal. Segundo ele, muitos participantes conheciam a empresa apenas como a maior geradora de energia limpa do planeta, mas passaram a compreender sua atuação voltada para a educação ambiental e os projetos socioambientais. “É fundamental atuar em parceria com o Itaipu Parquetec e demais organizações, pela promoção da sustentabilidade, da proteção socioambiental e da dignidade humana”, afirmou.

Protagonismo jovem e combate à desinformação climática

A programação incluiu a premiação dos vídeos produzidos pelos jovens participantes da formação em Educação Midiática. Ao todo, 43 vídeos foram inscritos no concurso, que desafiava os participantes a responder: “Como combater a desinformação climática?”

Os cinco vídeos finalistas apresentados durante o evento demonstraram o forte engajamento da juventude e sua contribuição para o fortalecimento da comunicação comunitária.

Kaylane Duarte, do Mato Grosso do Sul, produziu seu vídeo em parceria com colegas da aldeia indígena onde vive. Para ela, participar do Encontro foi uma continuidade do aprendizado iniciado nas formações territoriais: “Aprendemos a produzir vídeos e a comunicar melhor temas que afetam nossas comunidades. Foi uma experiência incrível. Nós, povos indígenas, prezamos muito pelo meio ambiente. Falar sobre clima e desinformação é essencial, porque quando ninguém cuida, somos os primeiros a sentir as consequências.”

Valorização das identidades locais

Representantes dos 21 Núcleos compartilharam elementos culturais de seus territórios, valorizando identidades locais, saberes tradicionais e a diversidade sociocultural da região.

O público também assistiu à apresentação da peça “Gritaram-me bugra”, encenada por um grupo indígena do Mato Grosso do Sul. A performance retratou situações vividas pelos povos originários desde o período colonial até questões contemporâneas, como a demarcação de terras, emocionando a plateia.

Uma mesa técnica reuniu representantes de diferentes Núcleos para apresentar experiências práticas nas áreas social, ambiental e econômica, incluindo tecnologias sociais, gestão de resíduos, articulação comunitária e projetos implementados ao longo do ano.

Desenvolvimento sustentável e futuro dos Núcleos

Em nome de todos os Núcleos, Inácio Werle destacou o compromisso coletivo de promover ações que transformem a vida das pessoas: “Há pouco mais de um ano, nos unimos com um propósito comum: promover ações de desenvolvimento que mudem a vida das pessoas. Trabalhamos muito para concretizar o que discutimos e, a partir do próximo ano, teremos a chance de consolidar. Tudo isso só foi possível porque temos gestões públicas que ouvem e valorizam a participação social.”

O diretor de Coordenação da Itaipu Binacional reforçou que desenvolvimento econômico e preservação ambiental devem caminhar juntos, e que os Núcleos desempenham papel decisivo neste processo: “Os Núcleos de Cooperação Socioambiental são essenciais para a mobilização comunitária e para um desenvolvimento mais justo, sustentável e participativo.”