Curitiba/Londrina – PR

Em uma ação que atinge diretamente o círculo de confiança do Palácio Iguaçu, o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) prendeu, na tarde desta segunda-feira (16), o empresário Luiz Abi, primo do governador Beto Richa (PSDB). A prisão ocorreu em Curitiba e faz parte de uma força-tarefa que investiga um esquema de corrupção que pode ter causado um prejuízo superior a R$ 500 milhões à Receita Estadual do Paraná.

Embora detido na capital, Abi foi transferido imediatamente para Londrina, centro das investigações que apuram não apenas crimes financeiros, mas também o escandaloso caso de exploração sexual de adolescentes que envolve figuras da administração pública.

Fraudes no Departamento de Transporte (Deto)

O estopim para a ordem de prisão foi uma suposta fraude no Departamento de Transporte Oficial (Deto). A investigação aponta que o governo do Estado, alegando falta de crédito em oficinas de Curitiba, teria passado a utilizar estabelecimentos no interior — especificamente em cidades como Bandeirantes e Cambé — para o conserto de viaturas da Polícia Militar.

O Gaeco cumpriu, além da prisão de Abi, outros quatro mandados de prisão e um de condução coercitiva. As buscas ocorreram inclusive em uma das oficinas que prestavam serviço ao governo, sob suspeita de superfaturamento e direcionamento de contratos.

Conexões perigosas: Receita e Exploração Sexual

A figura de Luiz Abi é considerada chave para os promotores. Ele é apontado como o suposto comandante de um esquema de corrupção na Receita Estadual, onde auditores facilitavam a sonegação de impostos em troca de propinas milionárias.

A transferência para Londrina não é casual: o Gaeco busca cruzar informações deste esquema financeiro com a rede de exploração de menores desarticulada meses antes na cidade, onde nomes de confiança do governo estadual também foram citados.

O lado político

O parentesco de Luiz Abi com o governador Beto Richa é público e consta, inclusive, em registros do diretório estadual do PSDB. A oposição na Assembleia Legislativa (ALEP) já se mobiliza para cobrar explicações sobre a influência de Abi nos contratos do Deto e na Receita Estadual, enquanto o governo, até o momento, trata o caso como uma questão de investigação policial estrita.

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