Curitiba–PR – No Dia Mundial do Diabetes, celebrado nesta quinta-feira (14), a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa) reforça a importância da prevenção e do tratamento contínuo da doença, que é crônica, não tem cura e pode ser acompanhada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O alerta surge diante do aumento de diagnósticos e da alta mortalidade associada à enfermidade.

“O tratamento é integralmente ofertado no SUS, com medicamentos e encaminhamentos para especialistas quando necessário”, destaca o secretário estadual da Saúde em exercício, César Neves.

O Paraná segue os Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas para Diabetes Mellitus tipos 1 e 2, garantindo acompanhamento adequado nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), porta de entrada para avaliação de risco, controle e eventual encaminhamento à atenção especializada.

Como o diabetes afeta o organismo

O Diabetes Mellitus resulta da produção insuficiente de insulina ou da resistência do corpo à sua ação. A insulina é o hormônio que permite que a glicose seja transformada em energia. Quando isso não ocorre de forma adequada, os níveis de açúcar no sangue permanecem elevados (hiperglicemia), provocando danos progressivos ao coração, rins, olhos, vasos sanguíneos e sistema nervoso.

Sem tratamento, tanto o diabetes tipo 1 quanto o tipo 2 podem levar à cegueira, amputações e morte.

Atendimentos no Paraná e dados de mortalidade

Entre janeiro e setembro de 2024, o SUS realizou 1.532.038 atendimentos individuais a pessoas com diabetes no Paraná. Em todo o ano de 2024, foram 2.415.435 atendimentos e 4.266 óbitos relacionados à doença. De janeiro a setembro deste ano, o número de mortes já ultrapassa 3,1 mil.

Quem tem maior risco?

Embora qualquer pessoa possa desenvolver diabetes, alguns fatores aumentam a probabilidade, especialmente no caso do tipo 2:

• sobrepeso ou obesidade;
• histórico familiar de diabetes (parentes de 1º grau);
• hipertensão arterial;
• colesterol ou triglicerídeos alterados;
• histórico de doença cardiovascular;
• diabetes gestacional prévia ou bebê com mais de 4 kg ao nascer;
• síndrome dos ovários policísticos;
• outras condições associadas à resistência à insulina.

O diabetes tipo 1, de origem autoimune, ocorre com mais frequência na infância e adolescência.
Já o diabetes gestacional surge por alterações hormonais da gravidez e geralmente desaparece após o parto.

Crescimento da doença no Brasil

Segundo o Vigitel Brasil (SUS), o número de pessoas que relataram diagnóstico médico de diabetes quase dobrou entre 2006 e 2023, passando de 5,5% para 10,2% da população adulta. O aumento ocorreu tanto entre homens quanto entre mulheres, e foi mais acentuado entre idosos: na faixa dos 65 anos ou mais, a prevalência saltou de 18,9% para 30,3%.