Belo Horizonte–MG. O Brasil consolidou sua posição entre os 30 países com maior arrecadação tributária do mundo, mas amarga a última colocação quando o assunto é a devolução desses valores em benefícios para a população. O Índice de Retorno de Bem-Estar à Sociedade (IRBES), criado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), avalia a carga tributária em relação ao Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e o resultado coloca o país atrás de vizinhos sul-americanos e potências globais.
Enquanto países como Estados Unidos, Austrália e Coreia do Sul lideram o ranking de melhor retorno, o Brasil apresenta serviços públicos que não condizem com o volume arrecadado. “O Brasil tem uma arrecadação tributária de país de primeiro mundo e serviços que se igualam a países de terceiro mundo”, aponta o advogado tributarista Maurício Saraiva.
O peso dos tributos no consumo das famílias
A alta carga tributária é sentida de forma mais aguda no início da vida familiar. Para o casal recém-casado Vanessa e Pedro Moura Oliveira, o orçamento apertado revela o impacto invisível: ao somarem os impostos embutidos nos eletrodomésticos básicos da casa nova, o valor chegou a R$ 1,86 mil. Com esse montante, seria possível adquirir uma máquina de lavar e um micro-ondas adicionais, caso a tributação fosse menor ou mais eficiente.
Como forma de protesto, empresários em Belo Horizonte e outras 15 cidades brasileiras promoveram ações de conscientização, comercializando produtos sem o valor dos impostos. Em postos de combustíveis participantes, a gasolina chegou a ser vendida por menos de R$ 2,00, evidenciando o peso das taxas na bomba.
O calendário da arrecadação
O esforço fiscal do brasileiro é medido pelo tempo de trabalho necessário para quitar as obrigações com o Estado. Em média, o cidadão trabalha 151 dias por ano — até o dia 1º de junho — apenas para pagar impostos, taxas e contribuições.
“É uma forma de conscientizar a população e os políticos sobre a alta carga e a ausência de retorno em infraestrutura e serviços básicos”, explica Bruno Falci, presidente da CDL/BH. O desafio para o país, segundo especialistas, não reside apenas na redução da carga, mas na gestão eficiente que garanta que o imposto pago se transforme em saúde, educação e segurança de qualidade.
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