O Paraná consolidou sua posição como maior produtor de erva-mate do Brasil, conforme os dados mais recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A produção estadual cresceu 5,2% entre 2023 e 2024, superando o desempenho do Rio Grande do Sul (4,6%) e de Santa Catarina (2,5%).

O avanço coloca o estado na liderança isolada da cadeia ervateira nacional — atividade que, além de expressiva na cultura regional, gera renda e empregos diretos em dezenas de municípios. Os destaques da produção são Cruz Machado (88 mil toneladas) e São Mateus do Sul (63 mil toneladas). Apenas dez municípios respondem por 86% da produção estadual, o que equivale a quase metade (47%) de toda a produção nacional.

O valor bruto de produção da erva-mate atingiu R$ 522,8 milhões em 2024, ocupando o segundo lugar entre os produtos não madeireiros da economia florestal do país.

Os dados integram o Boletim Conjuntural da Agropecuária, divulgado nesta quinta-feira (16) pelo Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab).

Agropecuária mantém ritmo positivo

O boletim também mostra que outros segmentos agropecuários seguem em alta no Paraná. A suinocultura, por exemplo, registrou a produção de 612,4 mil toneladas de carne no primeiro semestre de 2025, segundo a Pesquisa Trimestral do Abate de Animais (IBGE). Do total, 85% foram processados em frigoríficos com inspeção federal (SIF) — reforçando o peso da atividade nas exportações —, enquanto 14,3% passaram por inspeção estadual e 0,7% por inspeção municipal.

O crescimento de 12,2% na produção em estabelecimentos SIF foi o maior do país e reflete o aumento da demanda interna e externa pela carne suína, consolidando o Paraná como um dos principais polos do setor.

Diversificação rural: codornas, hortaliças e piscicultura

A criação de codornas domésticas também ganha espaço. O Paraná ocupa o oitavo lugar nacional, com 510,6 mil aves e 9,8 milhões de dúzias de ovos produzidos em 2024. O valor bruto do setor chegou a R$ 17,1 milhões, segundo o IBGE. Apucarana se destaca como principal município produtor. Os ovos de codorna, vendidos tanto “in natura” quanto beneficiados em conserva, têm alto valor agregado e importância crescente na cadeia de alimentos regionais.

A olericultura, presente em praticamente todos os municípios paranaenses, movimentou R$ 7,2 bilhões no ano passado, o que corresponde a 3,8% do valor total da agropecuária estadual. Os principais cultivos são batata, tomate e mandioca, com São José dos Pinhais na liderança. A produção de hortaliças é uma das que mais geram empregos rurais e sustentam a economia de pequenas propriedades.

Na piscicultura, o destaque segue sendo a tilápia, embora o produto tenha apresentado redução de 4,1% no preço médio em relação ao mesmo período de 2024, custando cerca de R$ 52,47 o quilo do filé.

Preços agrícolas e andamento da safra

O leite também registrou queda de 3,5% no preço médio, sendo comercializado a R$ 2,66 o litro em setembro.
Já a soja, principal cultura do estado, avançou com o plantio da safra 2025/2026, que atingiu 39% da área total estimada em 5,77 milhões de hectares. As chuvas recentes favoreceram o desenvolvimento das lavouras, mas retardaram o ritmo do plantio em algumas regiões.

O preço da saca de 60 kg fechou a última semana em R$ 118, contra R$ 129,19 em outubro de 2024, o que representa uma queda de cerca de 9% no valor pago ao produtor.

Importância estratégica da erva-mate

Para o Deral, o desempenho da erva-mate reforça a vocação florestal e sustentável da economia paranaense. O cultivo, que combina tradição e tecnologia, vem atraindo novos investimentos em produtos derivados — como bebidas, cosméticos e suplementos alimentares. Além de garantir renda para agricultores familiares, a atividade ajuda a preservar áreas nativas e fortalece o turismo rural e cultural ligado à tradição ervateira.