SANTOS (SP) – Um sonho que atravessou gerações está prestes a se concretizar: a ligação entre Santos e Guarujá por meio de um túnel submerso de 1,5 km (870 metros imersos sob o estuário), o primeiro da América Latina. O projeto, incluído no Novo PAC, terá investimento estimado em R$ 6,8 bilhões e promete transformar a rotina de cerca de 80 mil pessoas que cruzam diariamente o canal.
Cem anos de espera
A ideia de uma travessia seca surgiu ainda nos anos 1920, quando o Porto de Santos já se consolidava como motor da economia brasileira. Desde então, promessas se repetiram ao longo das décadas. Nos anos 1940, discutiu-se uma ponte levadiça; nos anos 1960 e 1980, novos estudos foram anunciados, mas a falta de recursos e crises econômicas impediram o avanço. No século XXI, obstáculos ambientais e financeiros voltaram a adiar o sonho.
Somente em 2024, com a inclusão no Novo PAC, o projeto ganhou orçamento, cronograma e modelo de execução. O edital foi lançado em agosto de 2025.
Impacto para a região
O túnel terá duas faixas por sentido para veículos, além de corredor exclusivo para o VLT, espaço para ciclistas e pedestres. A obra vai ampliar a integração urbana, encurtar distâncias e impulsionar a competitividade do Porto de Santos, fortalecendo o escoamento de cargas.
Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, trata-se de um marco histórico. “É uma honra participar desse momento de uma construção que já completa 100 anos. Um projeto que muitos dos nossos antepassados gostariam de ter visto realizado e que agora se torna realidade.”
Mobilidade e segurança
Moradores destacam os ganhos práticos. A estudante Maria Eduarda ressalta a importância do tempo economizado para trabalhadores e estudantes que cruzam o canal diariamente. Já a autônoma Meire Rodrigues aponta para a segurança: “Hoje atrasa bastante, tanto de carro quanto de bicicleta. Eu morro de medo da travessia na barca, principalmente em dias de chuva. O túnel vai facilitar muito.”
Sustentabilidade e inovação
Além da mobilidade, o projeto incorpora soluções sustentáveis, como redução de emissões e incentivo ao transporte limpo. A integração com o VLT e os acessos para ciclistas e pedestres refletem a aposta em um modelo mais moderno e ambientalmente responsável.
Depois de cem anos de espera, o túnel submerso não é apenas uma obra de infraestrutura: é um marco de memória, inovação e desenvolvimento, que inaugura uma nova era de mobilidade para a Baixada Santista.