São Miguel do Iguaçu (PR) – A comunidade quilombola do Apepu recebeu, no sábado (20), uma ação voltada ao manejo sustentável de efluentes sanitários. A iniciativa, realizada dentro do Programa Abrace o Parque, reuniu quilombolas, indígenas das comunidades Tekoha Arapy e Tekoha Ocoy, além de estudantes e professores da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), pelo projeto Histórias de Quilombo. O mutirão resultou na construção de seis tanques de evapotranspiração (TEvap), também conhecidos como fossas ecológicas.

O Programa é patrocinado pelo Parque Nacional do Iguaçu e pelo ICMBio, com execução da Adetur Cataratas e Caminhos e apoio da Urbia Cataratas. A presidente da Adetur, Sandra Finkler, destacou que o Abrace o Parque integra três projetos estratégicos: o Plano de Envolvimento com o Entorno, Frutos do Iguaçu e Turismo de Base Comunitária no Quilombo Apepu.

Foto: Diogo/Quilombo Apepu

Tratamento ecológico do esgoto

A coordenadora técnica da Adetur, Sara Fernanda de Moraes, explicou que os TEvap representam uma alternativa sustentável para o tratamento de esgoto doméstico. O sistema utiliza câmaras anaeróbias, impermeabilização e o plantio de bananeiras para filtrar e evaporar os efluentes. Diferente das fossas comuns, não libera resíduos líquidos no solo ou nos cursos d’água, o que contribui para a preservação dos recursos hídricos e para a melhoria das condições de saúde.

A instalação contou com apoio da Administração Municipal de São Miguel do Iguaçu e consultoria da Casa Viva, envolvendo etapas como escavação, montagem com pneus reutilizados, impermeabilização e finalização com o plantio de bananeiras – parte essencial do funcionamento.

Qualidade de vida e integração

Moradores quilombolas apontaram que os novos tanques representam um avanço significativo para a qualidade de vida local. Representantes indígenas destacaram a importância da cooperação entre povos tradicionais, enquanto os estudantes da Unila ressaltaram o aprendizado prático e o impacto social da experiência.

Além do benefício ambiental, a iniciativa reforçou a solidariedade entre comunidades indígenas e quilombolas, fortalecendo a integração com a universidade e promovendo a troca de saberes.