São Paulo, SP – No próximo 5 de setembro, na sede da B3, em São Paulo, começa a sair do papel uma obra aguardada há mais de um século. O leilão que definirá a empresa responsável pela construção e operação do Túnel Santos–Guarujá marca o início da primeira travessia submersa do Brasil.

Mais do que uma ligação entre duas cidades, o projeto promete revolucionar a mobilidade urbana, impulsionar a economia e melhorar a qualidade de vida de mais de 720 mil moradores da Baixada Santista.

Atualmente, milhares de pessoas cruzam o canal diariamente por balsas, embarcações ou vias rodoviárias, trajetos que podem levar até uma hora. Com o túnel, a travessia deverá durar apenas dois minutos, reduzindo drasticamente o tempo perdido no deslocamento.

Para a professora Célia, moradora da região, a mudança será decisiva: “Essa é uma cidade turística, com grande demanda, e a obra do túnel vai ser essencial pra todos nós. Eu, por exemplo, deixo o carro de um lado e atravesso de barca, o que é muito demorado e cansativo. Com o túnel, vamos ter menos tempo de espera e melhor acesso. Isso também vai ser bom pro comércio, porque facilita pra todo mundo.”

O ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, destacou a relevância estratégica da obra: “O túnel Santos–Guarujá é uma das obras mais emblemáticas do Novo PAC e marca um novo tempo para a mobilidade urbana e a infraestrutura do Brasil. Essa obra vai encurtar distâncias, gerar empregos, fortalecer o turismo, dinamizar a economia local e ampliar a eficiência logística do Porto de Santos. É o Brasil avançando com planejamento, inclusão e desenvolvimento regional.”

Benefícios à população

Com seis faixas de tráfego (três em cada sentido), além de ciclovia, passagens para pedestres e espaço para o VLT, o túnel promete acabar com as filas das balsas e a dependência de trajetos longos e cansativos.

A nova ligação facilitará o acesso a postos de saúde, escolas, universidades, áreas comerciais e espaços de lazer, favorecendo a integração regional. A expectativa é de geração de milhares de empregos diretos e indiretos, tanto na fase de obras quanto na operação.

Para a autônoma Meire Rodrigues, a segurança é um ponto-chave: “Vai facilitar muito a locomoção de todos e diminuir o trajeto. Eu uso bicicleta, uso carro e tenho medo da travessia de barca, principalmente em dias de chuva, quando o mar fica mais agitado. Esse túnel vai ajudar muito.”

Impulso à economia local 

Além da mobilidade, o túnel terá impacto direto no comércio, turismo e logística da região. O presidente da Associação Comercial de Santos, Mauro Sammarco, reforça o papel da obra como um divisor de águas:

“O túnel Santos–Guarujá, aguardado há quase um século, trará um salto de integração e desenvolvimento para a Baixada Santista. Além de reduzir drasticamente o tempo de travessia, garantirá mobilidade mais rápida e segura para pessoas e cargas, fortalecendo o Porto de Santos e aumentando sua competitividade. A obra também impulsionará o turismo, atrairá investimentos e gerará milhares de empregos, consolidando-se como um vetor de crescimento econômico e social para toda a região.”

Em Guarujá, o entusiasmo é compartilhado. O presidente da Associação Comercial e Empresarial da cidade, Wagner Rodrigo Cruz de Souza, destaca o potencial de desenvolvimento: “A ligação direta entre Santos e Guarujá representa muito mais do que mobilidade urbana: ela é a chave para destravar o imenso potencial de desenvolvimento retroportuário de Guarujá. Com acesso facilitado ao Porto de Santos, nossa cidade poderá atrair novos investimentos, ampliar sua vocação logística e industrial e gerar milhares de oportunidades de emprego e renda para a população.”

A estimativa de investimento para a obra é de R$ 6,8 bilhões, por meio de uma Parceria Público-Privada (PPP). A empresa vencedora do leilão ficará responsável pela construção, operação e manutenção do túnel por 30 anos de concessão.

Foto: Divulgação.in