Crianças curdas em busca de uma antena parabólica, em meio a minas terrestres e ao desmonte de equipamentos de guerra, sintetizam a luta por sobrevivência retratada em “Tartarugas Podem Voar”.
Contexto e narrativa
Dirigido por Bahman Ghobadi e lançado em 2004, o longa é considerado o primeiro filme iraquiano após a invasão americana. Ambientado em um campo de refugiados na fronteira entre Iraque, Irã e Turquia, mostra como crianças órfãs sobrevivem em meio à escassez, à violência e às contradições do discurso de “libertação” propagado pelos Estados Unidos.
O protagonista, o jovem Satellite (Soran Ebrahim), lidera outras crianças na coleta de sucatas e na busca por uma antena parabólica — símbolo da necessidade vital de informação em um contexto de censura e opressão.
Reconhecimento internacional
A força política e estética de “Tartarugas Podem Voar” rendeu ao filme aclamação mundial. Entre os prêmios conquistados, destacam-se:
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Menção Especial do Júri Jovem – Festival de Berlim (2005)
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Concha Dourada de Melhor Filme – Festival de San Sebastián (2004)
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Prêmio Especial do Júri – Festival de Chicago (2004)
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Prêmio Internacional do Júri e do Público – Mostra de São Paulo (2004)
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Prêmio La Pieza de Melhor Filme – Festival do México (2005)
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Prêmio do Público – Festival de Roterdã (2005)
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Golden Prometheus de Melhor Filme – Festival de Tbilisi (2005)
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Prêmio Aurora – Festival de Tromsø (2005)
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Borboleta Dourada – Festival Infantil de Isfahan (2004)
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Golfinho de Ouro – Festival de Tróia (2005)
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Seleção oficial – Sundance (2005)
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Prêmio Esqueleto de Prata – Harvest Moonlight Festival (2007)
Crítica especializada
A recepção crítica foi igualmente expressiva. No Rotten Tomatoes, o filme possui 88% de aprovação, descrito como “extraordinário, comovente e lírico”. No Metacritic, soma 85 pontos, classificado como “aclamação universal”.
O crítico Roger Ebert concedeu nota máxima, quatro estrelas, ao afirmar que o longa retrata “a vida real de refugiados, que não têm o luxo de opiniões porque estão ocupados em permanecer vivos em um mundo que não tem lugar para eles”.
David Sterritt (The Christian Science Monitor) elogiou o realismo das atuações, enquanto Michael Koresky (IndieWire) descreveu o roteiro como urgente, comparando-o a “uma mensagem em uma garrafa acidentalmente levada à praia”.
O longa ainda foi listado entre os melhores filmes de guerra de todos os tempos, ocupando a 35ª posição em levantamento de Jacob Osborn e Megan Drillinger (News Channel Nebraska).
Entre horror e beleza
Apesar de tratar da guerra, o filme também evidencia momentos de ternura: a amizade, a brincadeira e o afeto como formas de resistência. Assim, reafirma o que o cineasta francês Jean-Luc Godard chamou de “a arte de viver em meio ao horror”. O filme está disponível na TV Fronteira.