Foz do Iguaçu, PR – O Parque das Aves registrou o nascimento de dois novos filhotes de rolinha-do-planalto (Columbina cyanopis), espécie classificada como criticamente em perigo pela União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN). A boa notícia coincidiu com a visita do ornitólogo Rafael Bessa, responsável pela redescoberta da ave em 2015, após 75 anos sem registros.
Com os novos nascimentos, a população de segurança mantida no Parque chega a nove indivíduos, um marco que reforça a importância do trabalho científico e da cooperação para a sobrevivência da espécie.
Para Paloma Bosso, diretora técnica do Parque das Aves, a chegada dos filhotes representa um esforço coletivo. “Cada nascimento reforça o nosso compromisso com a ciência para a conservação de espécies ameaçadas de extinção, e é também uma vitória emocional para todos nós. Receber o pesquisador que redescobriu a espécie torna esse momento ainda mais especial, pois mostra como conhecimento, dedicação e cooperação podem transformar a história de uma ave em perigo crítico de extinção.”
Uma espécie única do Cerrado
Endêmica do Cerrado brasileiro, a rolinha-do-planalto chegou a ser considerada extinta até ser reencontrada por Rafael Bessa em Botumirim (MG). Hoje, estima-se que existam menos de 20 indivíduos em ambiente natural, o que torna cada nascimento sob cuidados humanos um avanço fundamental para a ciência e para a conservação.
O primeiro filhote nasceu em 26 de julho, e o segundo, no dia seguinte. Ambos foram incubados pelos próprios pais e monitorados de perto pela equipe de Neonatologia do Parque, que acompanhou cada detalhe por câmeras e visitas ao recinto.
A bióloga Bianca Fernandes, supervisora de Neonatologia, descreveu o momento como inesquecível: “Ver os dois filhotes saudáveis e bem no ninho com os pais reforça nossa responsabilidade: cada nova vida tem o potencial de mudar o futuro da espécie. É uma conquista para a ciência e uma renovação de esperança para todos nós.”
A visita de Rafael Bessa
Entre 18 e 21 de agosto, o biólogo Rafael Bessa visitou pela primeira vez o Parque das Aves e conheceu pessoalmente os novos filhotes. Para a equipe, foi um momento simbólico que coroou 10 anos de avanços na conservação da espécie. “Voltar a ver a rolinha-do-planalto, agora com novos filhotes sob cuidados humanos, é uma renovação da esperança. Há uma década, poucos imaginavam que em tão pouco tempo estaríamos diante de uma conquista dessa magnitude”, destacou Bessa.
Com os nascimentos, a população de segurança da rolinha-do-planalto mantida pelo Parque aumentou para nove indivíduos. O trabalho reúne profissionais de Medicina Veterinária, Biologia, Zootecnia, Neonatologia, Bem-estar e Nutrição Animal, em uma atuação multidisciplinar que alia ciência e sensibilidade.
Segundo Paloma, o objetivo é claro: “Nossa missão é formar uma população de segurança robusta, que no futuro possa retornar ao Cerrado. Esses dois novos filhotes mostram que estamos no caminho certo.”
Cooperação nacional e internacional
O projeto integra o Plano de Ação Nacional (PAN) para a Conservação das Aves do Cerrado e Pantanal, coordenado pelo ICMBio, e conta com o apoio de instituições nacionais e internacionais. Entre elas, a SAVE Brasil, o Zoológico de Chester (Reino Unido), o Zoológico de Toledo (EUA), o Zoológico do Bronx (EUA), o Centro de Sobrevivência de Espécies Brasil e o Laboratório de Genética e Evolução Molecular de Aves da USP.
Essa rede de cooperação científica e técnica é essencial para garantir a sobrevivência da rolinha-do-planalto, considerada uma das aves mais ameaçadas do Brasil.
O Parque das Aves é um centro de resgate, abrigo e conservação de aves da Mata Atlântica, sendo o atrativo mais visitado de Foz do Iguaçu depois das Cataratas. Em 2024, completou 30 anos de atuação.
Por ser uma instituição privada, a continuidade do trabalho depende diretamente da visitação, bem como do consumo nos restaurantes do Complexo Gastronômico, Restaurante Sabores da Floresta, Bistrô da Mata e Café da Praça e das compras na loja de souvenirs.