São Paulo (SP) – “Se tiver de sacrificar algum dos valores da empresa, sacrifique os números para proteger as pessoas”. A frase, dita pelo consultor indiano Raj Sisodia durante o primeiro CEO Summit sobre o tema em São Paulo, resume o pilar do Capitalismo Consciente. O conceito, que ganhou força no Brasil em 2013, propõe uma inversão na lógica tradicional de gestão: colocar o resultado financeiro em segundo plano para priorizar o impacto social e o bem-estar dos envolvidos.
Fundador do Instituto Capitalismo Consciente e coautor do livro homônimo junto a John Mackey (fundador da Whole Foods), Sisodia prepara para outubro deste ano (2015) o lançamento de sua oitava obra, Everybody Matters (“Todo mundo importa”). Para o consultor, o lucro não é o objetivo, mas a consequência natural de um ecossistema de trabalho saudável e motivado.
O desafio da prática: empresas em transição
Embora o discurso seja inspirador, a aplicação prática enfrenta o ceticismo do mercado. No entanto, Sisodia aponta que gigantes globais como BMW, Google e Starbucks, além das brasileiras Natura e Embraer, já aplicam o conceito em diversas áreas. A mudança não é abrupta, mas um processo de experimentação que, ao longo dos anos, demonstra que o modelo é viável e rentável.
Os 3 pilares do gestor consciente, segundo Sisodia
De acordo com o consultor, a liderança consciente exige uma mudança de atitude em três frentes fundamentais:
1. Priorização real das pessoas
A intenção primária de uma empresa consciente é gerar impacto positivo para a humanidade, começando pelos seus próprios colaboradores. Segundo Sisodia, uma empresa comprometida atrai fornecedores alinhados aos seus valores, o que resulta em serviços de alta qualidade e, consequentemente, na fidelização de clientes e geração de lucro sustentável.
2. Visão de longo prazo vs. Bônus anuais
O líder consciente não pauta suas decisões apenas no bônus do fim do ano. Ele foca em objetivos que atravessam décadas, garantindo que suas ações não prejudiquem o meio ambiente ou as pessoas no futuro. Isso inclui negociações justas: “Esse líder busca negociar em condições justas para todas as partes, ainda que ganhe um pouco menos do que poderia se só estivesse preocupado com o próprio benefício”.
3. Integração de inteligências (Sistêmica e Emocional)
A liderança moderna exige a superação do antigo modelo de “comando e controle”. Sisodia defende a conciliação de traços tradicionalmente masculinos — como objetividade e agressividade por resultados — com traços considerados femininos, como compaixão, intuição e cuidado. É a união necessária entre a inteligência sistêmica e a inteligência emocional.
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