Curitiba–PR – O Departamento Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon-PR) confirmou a presença de formaldeído — conhecido popularmente como formol — em amostras de carnes da marca JBS-Friboi. A irregularidade foi detectada em produtos processados na unidade da empresa em Naviraí (MS).
Diante da gravidade dos laudos, o Procon instaurou um processo administrativo e propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). Caso a empresa não reconheça a falha e ajuste seus processos, a multa aplicada pode atingir o patamar de R$ 7 milhões.
O contraste entre incentivos fiscais e segurança alimentar
O caso ganha contornos políticos e econômicos acentuados. No mesmo período em que o Procon-PR confirmava a contaminação, o governo do Mato Grosso do Sul anunciou a concessão de R$ 1 bilhão em incentivos fiscais para que a JBS-Friboi construísse quatro novas plantas frigoríficas no estado.
Enquanto os investimentos avançam, a confiança do consumidor é colocada à prova. Em nota, a comunicação da JBS-Friboi afirmou que a substância encontrada nas análises seria “produzida naturalmente pela própria carne”. Entretanto, análises laboratoriais realizadas em diversas outras marcas concorrentes deram negativo para a substância, refutando a tese de que o formol seria um componente intrínseco ao produto.
Riscos à saúde e o alerta da OMS
Embora o uso de formol seja terminantemente proibido pela legislação sanitária brasileira para conservação de alimentos, a prática tem sido detectada em episódios envolvendo leite e carnes nos últimos anos. O formol é classificado como uma substância reconhecidamente cancerígena.
O cenário de risco alimentar soma-se ao alerta emitido pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que classificou:
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Carne Processada: (Bacon, salsicha, linguiça e presunto) como comprovadamente cancerígena.
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Carne Vermelha: Como “provavelmente cancerígena” para seres humanos.
Credibilidade sob suspeita
A JBS-Friboi, maior processadora de proteína animal do mundo, enfrenta um desgaste de imagem que vai além do bem-estar animal. O contraste entre os comerciais milionários protagonizados por celebridades na televisão e a detecção de substâncias químicas perigosas levanta questionamentos sobre a transparência e o controle de qualidade da gigante do setor.
Por que o país com a melhor educação do mundo decidiu acabar com as matérias?